Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 11/11/2021
Na Grécia antiga, os Jogos Olímpicos eram eventos de valorização da prática desportiva entre os cidadãos, além de serem espaços de promoção da integração entre as diferentes populações e de celebração da paz. Nesse sentido, observa-se a histórica contribuição dos esportes para a convivência social e a efetivação dos direitos dos habitantes. Apesar desses exercícios garantirem a redução das desigualdades sociais e proporcionarem a ascensão social, a baixa destinação de investimentos para essa área contribui para a não realização da cidadania. Assim, torna-se necessário oportunizar a prática esportiva a todos os públicos, tendo em vista a seus benefícios na prática cidadã.
Em primeira análise, evidencia-se o papel crucial do esporte para a justiça social e a construção do cidadão. No filme brasileiro “José Aldo: mais forte que o mundo”, retrata-se a história do lutador de MMA homônimo, o qual desenvolveu uma carreira de sucesso como atleta a despeito de não possuir grande poder aquisitivo. Sob esse viés, é imperioso destacar a transformação de vidas gerada pelo desporto, como na inserção no mercado de trabalho e a saída de situações de vulnerabilidade, asseverando seus direitos sociais e seu engajamento no coletivo.
Entretanto, cabe ressaltar a negligência estatal na questão do esporte como um dos empecilhos para efetivar a cidadania. Embora o artigo 217 da Carta Magna defenda que o governo deve fomentar o esporte brasileiro, esse princípio normativo não se efetua na prática, dificultando a democratização desses exercícios. Exemplo disso é o atleta Darlan Romani, o qual precisou treinar arremesso de peso para as Olimpíadas de Tóquio em 2021 em terrenos baldios, sem a infraestrutura e os profissionais adequados. Logo, é crucial que se direcionem recursos para a prática esportiva no país, visando à consolidação dos atos cidadãos.
É fundamental, portanto, estabelecer meios para coletivizar o esporte no Brasil. Para isso, o Governo Federal deve disponibilizar locais públicos e gratuitos para a prática esportiva - como quadras de jogos e parques -, mediante o direcionamento de verbas para as esferas municipais, a fim de oportunizar o bem-estar e o lazer comuns e assegurar a inclusão social a toda a população. Outrossim, organizações não-governamentais em prol da realização dos exercícios precisam reivindicar investimentos governamentais para os atletas, mediante passeatas e protestos, com a finalidade de asseverar seu direito constitucional e pressionar as autoridades públicas. Com essas medidas, aumentar-se-á o desenvolvimento dos cidadãos, tal qual o de José Aldo.