Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 15/11/2021
A estátua “Discóbolo”, do escultor grego Míron, representa um atleta preparando-se para lançar um disco, simbolizando a relevância da prática esportiva para as comunidades da antiguidade clássica. Todavia, no cenário hodierno, essa prática não representa tanta importância para o tecido social brasileiro, circunstância oriunda tanto das desigualdades socioeconômicas, quanto da inércia governamental em promover a realização da atividade.
Nessa conjuntura, convém enfatizar que as discrepâncias sociais e econômicas estão entre as principais causas do revés. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar o processo histórico de urbanização do território nacional, que foi promovido pelo presidente Getúlio Vargas e, posteriormente, pelo presidente Juscelino Kubitschek em seu plano de metas “50 anos em 5”, o qual pretendia desenvolver a indústria brasileira. Por conseguinte, certas regiões do país, principalmente as sul e sudeste, receberam grandes investimentos estruturais, fator que contribuiu para melhoria salarial e infraestrutural das cidades, concentrado renda e melhores condições de entretenimento, tais como locais para o desenvolvimento de atividades físicas. Dessarte, é evidente que as localidades que receberam mais capitais são aquelas que apresentam as infraestruturas fundamentais para a prática desportiva.
Ademais, é lícito postular que a falha estatal é um relevante fator que agrava o impasse. Nesse sentido, o sociólogo Thomas Marshell identifica três tipos de direitos no conceito de cidadania: os civis, que englobam as liberdades individuais, os sociais, que são aqueles que fornecem condições básicas necessárias a uma qualidade de vida satisfatória, e os políticos, que envolvem as capacidades de participação nas decisões políticas do país. Sob esse viés, o Estado ao não proporcionar a realização de exercícios físicos configura-se como uma falha na efetivação da cidadania, haja vista que essas atividades asseguram um estilo de vida adequado, pois promovem o bem-estar coletivo, garantido no princípio social. Portanto, é notório a atuação do governo em concretizar o a concepção de cidadania.
Depreende-se, em suma, a necessidade de ações para atenuar a problemática. Para tanto, com o objetivo de afirmar as garantias sociais, o Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, deve planejar e promover a efetuação de campeonatos estaduais - que pode, por exemplo, incluir premiações para os melhores classificados, como maneira de incentivar a participação, por meio das secretarias dos municípios e parcerias público-privada. Desse modo, tanto a importância do esporte na Grécia Antiga, quanto a confirmação da cidadania serão efetivados no país.