Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura que o Poder Público deve promover a prática esportiva na sociedade. Todavia, ao analisar a questão do esporte, percebe-se que este inciso constituicional não tem sido garantido, uma vez que há poucos estímulos ao esporte no Brasil. Esse problema, cuja causa se relaciona, sobretudo, ao baixo investimento do governo na área esportiva, gera sérias consequências, como o prejuízo á formação da cidadania do indivíduo.
Diante desse cenário, cabe pontuar que a ausência de recursos destinados ao estímulo do esporte é um dos principais desafios à expansão das práticas esportivas. Nesse contexto, o filósofo e educador Paulo Freire afirmava que a teoria sem a prática não passa de verbalismo. Com base nessa premissa, nota-se que além de assegurar na Constituição, o governo deve promover medidas que viabiliza a valorização do desporto, como aumentar o tempo das aulas de educação física e abrir as escolas, fora do horário das aulas, para que a comunidade possa praticar o desporte. Desse modo, fica evidente que a negligência do Estado prejudica a promoção do esporte.
Em decorrência disso, há prejuízo à formação da cidadania do indivíduo. Isso ocorre, em grande parte, devido ao fato que há princípios inerentes ao esporte e que contribuem na formação do cidadão. Em razão disso, é válido destacar que com a popularização do futebol no Brasil, no início do século XX, indivíduos de diferentes classes sociais passaram a estabelecer contato e, através do princípio de igualdade presente nas práticas esportivas, foi gerado um sentimento de equidade nas pessoas que antes viviam excluídas socialmente. Em virtude disse, é reconhecido a importância do esporte na criação de uma consciência cidadã no ser humano.
Medidas, portanto, tornam-se necessárias para que o esporte seja valorizado na sociedade brasileira. Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC), com auxílio das secretarias municipais, deve promover políticas públicas de estímulo ao esporte. Para isso, deve ocorrer uma mudança na grade curricular, com o objetivo de ampliar o horário das aulas de educação física e promover a abertura das escolas fora do horário das aulas. Isso deve ocorrer, por meio de um edital que deve ser enviado pelo MEC à todas as escolas do brasil, para que estas acatem as novas diretrizes. Dessa maneira, a partir do cumprimento da Constituição, as práticas esportivas serão ampliadas e a noção de cidadania desenvolvida no Brasil, como preconizava Paulo Freire.