Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 10/08/2022

Na saga “Harry Potter”, de J. K. Rowling, é evidenciada a integração social propiciada pelos torneios de “quadribol”, jogo que fomentava a participação nas demais atividades escolares e a solidariedade entre os alunos. Paralelamente à ficção, no Brasil, o esporte possui um potencial de efetivação da cidadania que carece de aproveitamento. Nesse aspecto, tal impasse advém da elitização de modalidades esportivas e corrobora a marginalização de grupos sociais.

A priori, cumpre ressaltar que o âmbito esportivo constitui um espaço de manifestação da segregação socioeconômica. Sob esse viés, é pertinente reportar à série estadunidense “Gilmore Girls”, na qual o avô abastado de Rory lhe oportuniza frequentar clubes de golfe, enquanto os colegas de sua neta, pertencentes a classes econômicas menos favorecidas, não têm acesso a locais semelhantes. Analogamente à produção, na conjuntura brasileira, esse contraste se faz presente, por exemplo, na precária infraestrutura de parcela significativa das escolas públicas, em que faltam quadras e equipamentos esportivos. Logo, insta a adoção de medidas que visem a democratizar os desportos.

Outrossim, é imperioso salientar que o negligenciamento das práticas esportivas reforça a exclusão social. Nesse sentido, a inobservância estatal acerca do Artigo 217 da Constituição Federal, que atribui à União o dever de fomentar práticas desportivas, faz-se pungente no país. Consequentemente, indivíduos periféricos são privados da possibilidade de ascensão econômica e desenvolvimento pessoal atrelada ao esporte, fator que influi no aumento da criminalidade como meio de auxílio à subsistência. Dessa forma, há o cerceamento do usufruto da cidadania.

Depreende-se, pois, que a elitização do esporte contribui com a marginalização de setores populacionais. Urge, então, que o Ministério da Cidadania - formado pela unificação dos Ministérios do Esporte e do Desenvolvimento Social - promova a efetivação da Lei de Incentivo ao Esporte, por intermédio do direcionamento de verbas federais para a construção de quadras em instituições de ensino públicas e aquisição de equipamentos, a fim de garantir aos cidadãos o exercício das práticas esportivas. Ademais, é mister uma maior divulgação midiática dos projetos de ONGs esportivas. Dessarte, suavizar-se-á essa mazela nas terras tupiniquins.