Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 30/09/2022
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história da nação: a Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país, cujo conteúdo garante o direito à cidadania e ao esporte. Entretanto, a omissão do Estado evidencia que parcela da população não usufrui desses benefícios constitucionais. Com efeito, para se desconstruir a problemática, hão de ser combatidos a falta de investimentos e o sedentarismo.
De início, enquanto houver marginalização de camadas sociais, o pleno exercício da cidadania será exceção. Sob essa perspectiva, Simone de Beauvoir, expoente filosofa francesa, desenvolveu a tese sobre invisibilidade social, na qual parte da comunidade, sobretudo de baixa renda, sofre exclusão social. Diante disso, a negligência para com a manutenção dos espaços públicos esportivos se mostra grande empecilho para a democratização do acesso ao esporte. Logo, não é razoável a permanência desse cenário em um país que almeja tornar-se desenvolvido.
Outrossim, o sedentarismo corrobora a dificuldade de o esporte fazer parte da rotina de parcela da população. Nesse viés, a cultura do imediatismo reflete na saúde física do indivíduo; todas as coisas precisam ser feitas rapidamente e, dessa forma, o tempo para atividades físicas é preenchido por trabalho. Por consequência, essa substituição traz malefícios ao organismo como sobrepeso, ansiedade e depressão. Logo, o hábito de praticar atividades esportivas deveria ser naturalizado para, assim, a sociedade se desenvolver de maneira mais saudável.
Destarte, cabe ao Poder Executivo, em todas as suas esferas, garantir caminhos para as práticas esportivas, por meio da destinação de verbas para a reforma e construção de quadras e pistas públicas, bem como a implementação de um programa de incentivo ao esporte. Esse programa poderia se chamar “Esporte é Direito”, e promoveria aulas de diversas modalidades de modo gratuito à população, com o fito de possibilitar a inclusão da parcela marginalizada, mitigar o sedentarismo e fomentar a cidadania. Dessa forma, a realidade prevista na Carta Magna deixará de ser, em breve, uma utopia no Brasil.