Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 01/11/2022
Vinicius Junior, jovem negro, nascido e criado em uma comunidade do Rio de Janeiro, graças ao futebol conseguiu superar a exclusão vivenciada, ao se tornar um famoso futebolista por jogar no Real Madrid. A partir dessa narrativa, fica evidente a importância do exercício físico como ferramenta de ascensão social. No entanto, a omissão das esferas públicas em promover o acesso ao esporte dificulta a plenitude da cidadania. Sendo assim, cabe ao Estado solucionar essa problemática para inclusão dos indivíduos.
Sob esse viés, a população marginalizada encontra no esporte uma oportunidade de vencer o “apartheid’ existente. Nessa perspectiva, Ariano Suassuna acredita que o Brasil apresenta características de dois países: o país dos privilegiados e o país dos “despossuídos. Posto isso, em uma nação marcada pelas injustiças e pela ausência de isonomia, os cidadãos veem nos seus ídolos do mundo desportivo, por exemplo, Vinicius Junior, uma alternativa contra o cenário de pobreza, de falta de saneamento básico e de criminalidade. Portanto, nota-se o papel de tal prática para que os “despossuídos” consigam a cidadania que os privilegiados possuem.
Todavia, o país ainda carece de ambientes que proporcionem o treinamento físico. Isso porque, como afirma Zygmunt Bauman, as instituições na sociedade contemporânea tornaram-se “zumbis”, uma vez que estão vivas na constituição, mas mortas por não exercerem sua função. Diante disso, o falecimento dos órgãos brasileiros é demonstrado nos dados do INEP, o qual afirma que apenas 26,8% das escolas públicas de nível fundamental possuem quadras esportivas. Desse modo, a difusão do vôlei, do futebol e do basquete ainda é muito restrita, já que o governo negligencia a construção de espaços coletivos voltados para o esporte.
Destarte, é mister que o Ministério da Cidadania promova a construção de quadras e complexos poliesportivos, por meio de investimentos financeiros e compra dos equipamentos necessários. Tudo isso, a fim de ampliar o acesso a prática de exercícios físicos, principalmente na periferia, local que mais sofre com a restrição desse direito. Assim, promovendo uma nação mais igualitária, na qual a população tenha sua cidadania efetivada.