Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 10/11/2022
Em seu livro “pedagogia do oprimido”, Paulo Freire, educador e filósofo, enfatiza a educação como propulsora de mudanças de situações, paulatinamente, ignoradas ou esquecidas pelo corpo societário. Ao sair da literatura, nota-se que há uma problemática olvidada na conjuntura brasileira atual: a carência do esporte relacionado à cidadania na sociedade brasileira. Nesse diapasão, o acesso à atividades fisícas, assegurado na carta magna de 1988, é desassistido, seja pelo marasmo estatal ou alienação social.
Primordialmente, vale ressaltar que a débil ação do poder público conduz, signifitivamente, para o revés. Nesse sentido, Gliberto Dimenstein, em sua obra “cidadão de papel”, diz que a legislação brasileira é ineficaz , visto que, embora seja completa na teoria, como lê-se o direito ao esporte como lazer e a cidadania como essencial a todos cidadãos no artigo sexto, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é a pesquisa realiza pelo IBGE, a qual estima-se que cerca de 48,3% dos brasileiros vivem em situação de sedentarismo. Logo, não há, hoje, políticas públicas que garantam a plena aplicabilidade jurídica.
Para além disso, a escassez de informações sustenta uma sociedade alienada. Isso porque se faz presente entre os brasileiros o “paradoxo moral”, conceito criado pelo museólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno. Nessa linha, a carência de discussões nos veículos midiáticos sobre a importância do esporte para a saúde e para interações sociais, somado à bolha social causada pelos algorítimos na internet, faz com que a população não identifique e combata essa problemática, o que reforça a letargia estatal e a falta de criticidade no ideário coletivo. Desse modo, é imprescindível uma mudança de postura do Estado e da grande mídia.
Desarte, cabe ao Poder Executivo realizar reuniões com o Ministério da Educação, para junto com estudiosos sobre a temática, desenvolverem políticas publicas que ampliem a insuficiência de esportes. Tal ação deve ocorrer por meio da criação de projetos de acesso à informação, a qual irá promover, nos 5570 municípios brasileiros, debates acerca da importância cultural, social, física e até mundial dos esportes, a fim de que haja um pleno cumprimento da Constituição e da sua importância como lazer. Com isso, a teoria de Freire perdurará a fomentação ética, em detrimento à alienação.