Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 23/10/2023
No livro “A República”, o filósofo ateniense Platão, após sua busca em aproximar os cidadãos da pólis, lista oito pilares para uma educação efetiva e igualitária,sendo a sua base, o esporte. Com efeito, sem desconsiderar os impactos da obra, é evidente que o Brasil atual enfrenta grandes dificuldades em promover a cidadania atrelada ao desporto, consequências do preconceito enraizado e da omissão estatal.
Diante dessa análise, é necessário analisar que o preconceito herdado pelos euro- peus, no processo de colonização, reverbera até os dias atuais. Sob essa perspecti- va, a matéria publicada pelo jornal O Globo, em 2019, revela que até o século XIX, o futebol era praticado pela alta burguesia, ao passo em que pobres e negros eram proibidos de se inscrever e praticar. Tais estigmas ainda são prolongados na atu-alidade como, por exemplo, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís- tica (IBGE), apontam que, apesar de serem maioria (69%), os negros são os menos contratados por times grandes de futebol (cerca de 32%), resultado de uma cons- trução de um passado opressivo.
Outrossim, a negligência do Estado em garantir o acesso democrático aos esportes nas escolas, intensifica, para as próximas gerações, a desigualdade. Dessa forma, o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman “Instituição Zumbi” afirma que existe uma instituição, mas ela não cumpre seu papel social. Com esse viés, a pesquisa realizada pelo jornal O Globo, em 2019, revela que as verbas nas escolas públicas, direcionadas à educação esportiva, é insignificante, cerca de 26,8% mas, na Constituição, o investimento deveria ser de 60%. Diante disso, é possível relacionar o pensamento de Bauman com a atual conjuntura brasileira, já que existe uma lei, mas ela não é promovida e, por fim, acentua a problemática.
Portanto, infere-se que o Ministério da Educação, órgão responsável pela grade curricular, e parceria com as mídias, por meio de políticas públicas, devem criar oficinas e projetos com os jovens afim de destruir os padrões impostos do eurocen- trismo e, concomitantemente, criar leis que aumentem a quantidade de práticas esportivas nos espaços educativos e públicos. Tais ações devem garantir o direito de cidadania em uma sociedade igualitária e democrática.