Estigmas associados aos jogos eletrônicos: eles contribuem para o comportamento violento de crianças e adolescentes?
Enviada em 23/09/2025
Desde a chegada dos computadores nos lares na década de 80, a tecnologia passou a desempenhar um grande papel no lazer das pessoas. Os milhares de jogos eletrônicos criados são desenvolvidos para agradar diversos públicos em seus momentos de tédio e, por isso, possuem múltiplos temas. Um dos tipos mais polêmicos é o que utiliza a violência como meio de diversão. Crianças e adolescentes que já apresentam comportamento negativo, quando expostas a esses conteúdos, tendem a agir mais agressivamente. No entanto, o histórico familiar e o contexto da exposição à violência são fatores que devem ser considerados.
Primeiramente, o cotidiano de um jovem violento que busca jogos com essa temática traz mais respostas que o videogame em si. Ações agressivas de mentes ainda em desenvolvimento usualmente vem de casas disfuncionais. Com isso, é possível enxergar o comportamento do infante como consequência de um ambiente de criação ruim e não como causadora da hostilidade dele. Isso se comprova pelo fato de que injúrias eram cometidas antes da chegada dos videogames, como os crimes de “Chico Picadinho”, um homem que veio de uma infância conturbada que impulsionou seus atos.
Além disso, o contexto do acesso precoce a esses conteúdos também deve ser analizado. Com público-alvo adulto, o encontro infantil com esses jogos não é algo que possa ser naturalizado. Infelizmente, videogames como Grand Thief Auto (GTA), são utilizados como meio de descontração entre pais e filhos. A violência se torna um mecanismo de aproximação e indiretamente, ou diretamente, é incentivada pelos próprios responsáveis. Com isso, atos maldosos são banalizados pelos adultos que criam os jovens, que depois, agem agressivamente.
Portanto, vê-se que, em realidade, os jogos eletrônicos não podem ser vistos como causadores da violência juvenil, mas como sinalizores da suscetibilidade. Por isso, o Conselho Tutelar, órgão responsável por zelar os direitos da criança e do adolescente, deve se fazer mais presente na fiscalização do público comprador. Por meio de sistemas de verificação, pode-se diminuir a exposição desnecessária à violência e ainda mitigar agressões infantis.