Estigmas associados aos jogos eletrônicos: eles contribuem para o comportamento violento de crianças e adolescentes?

Enviada em 07/03/2026

Os jogos eletrônicos assumem na atualidade papel de destaque na indústria do entretenimento global. Junto deles, casos assustadores de violência e crimes hediondos escalam na humanidade, gerando o questionamento da existência de ligação entre esses dois fatores. Nesse sentido, visando-se compreender essa possível correlação, dois tópicos devem ser analisados: a real conexão entre o comportamento humano e seu consumo de entretenimento, assim como a existência de outros fatores psicossociais atrelados a essa conexão.

Primeiramente, é socialmente comprovado e cientificamente aceito que há correlação entre o comportamento humano e o entretenimento consumido pelo indivíduo. Um exemplo que ratifica esse contexto é o “efeito Werther”, que tem esse nome por ter sido descoberto quando se analisou uma série de suicídios ocorridos na Europa e cometidos por jovens que fizeram leitura do livro “Os sofrimentos do jovem Werther”, que narra a história de um jovem que sofre muito em vida e decide, por isso, interrompê-la. Nesse contexto, os estudos comprovaram haver ligação entre a leitura (entretenimento) e o suicídio (comportamento), sendo assim, é possível vincular agressividade de jovens na atualidade com jogos eletrônicos, principalmemente os violentos.

No entanto, embora essa vinculação ser possível, culpabilizar exclusivamente a exposição dos jovens a esses jogos com o comportamento agressivo é negligenciar outras características psicossociais importantes. Afinal, se de modo isolado os jogos fossem os culpados, todos os usuários apresentariam essa característica, fato que não acontece, devendo outros fatores como condição social precária e estrutura familiar instável ocorrerem para a manifestação violenta se tornar real.

Dados esses fatos, é notório que se é possível relacionar os jogos eletrônicos com o comportamento agressivo dos jovens, no entanto, essa relação não é simples e direta, carecendo de outros fatores para acontecer. Sendo assim, visando-se mitigar os efeitos negativos dos “games” é imprescindível que os pais e responsáveis, principais mediadores da educação familiar, conheçam as predisposições violentas de seus filhos e, quando necessário, saibam vetar — usando de diálogo aberto — a exposição deles aos jogos violentos.