Estratégias para assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
Enviada em 03/10/2026
Na canção “O sal da terra”, Beto Guedes exalta a natureza e denuncia a degradação ambiental movida pelo lucro, lógica que reflete a insustentabilidade dos atuais padrões de produção e de consumo. Neste sentido, o modelo econômico predatório e o consumismo são obstáculos para construção de estratégias que garantam padrões de produção e consumo sustentáveis.
Diante desse cenário, o modelo econômico predatório vigente gera modos de produção e consumo inviáveis para o meio ambiente, pois consomem os recursos naturais. Com base nisso, o conceito de pegada ecológica, elaborado por Rees e Wackernagel, demonstra que os atuais padrões de produção e de consumo superam a capacidade de regeneração dos ecossistemas, comprometendo a sustentabilidade. Isso se aplica ao comparar o descompasso entre as velocidades de produção e consumo, como o tempo necessário para produção do papel é bem maior que o tempo para consumi-lo. Logo, a priorização do crescimento produtivo sem a consideração dos limites ecológicos ameaça a manutenção dos recursos necessários às gerações futuras.
Somado a isso, a sociedade alimenta o consumismo para tornar viável e lucrativo toda essa grande produção. A esse respeito, a canção “Propaganda”, da banda Nação Zumbi, critica a criação de desejos artificiais, lógica que estimula insustentáveis padrões de produção e de consumo. Fora do universo musical, a associação entre satisfação pessoal e aquisição frequente de mercadorias pode estimular a substituição de produtos ainda utilizáveis, ampliando a demanda por matérias-primas e a geração de resíduos. Consequentemente, a naturalização desse padrão de consumo intensifica a pressão sobre os recursos naturais.
Portanto, o Ministério do Meio Ambiente, por meio de parcerias com o Ministério da Fazenda e empresas de publicidade, deve instituir a Política Nacional da Sustentabilidade. Para isso, deverá conceder incentivos fiscais às empresas que adotarem processos produtivos limpos e promover campanhas sobre os três Rs( reduzir, reutilizar e reciclar) com finalidade de estimular a produção e o consumo sustentáveis. Desse modo, como em “Sal da terra” , será possível recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois.