Estratégias para assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
Enviada em 24/05/2025
Diante desse cenário, é fundamental entender as origens desse padrão. Essa situação pode ser explicada pelo fato de a política brasileira muitas vezes funcionar em torno de interesses pessoais, o que dificulta a formulação e a execução de políticas públicas voltadas para o coletivo. Com a análise da tese da historiadora Lilia Schwarcz, na obra “Sobre o autoritarismo brasileiro”, percebe-se que a questão do patrimonialismo, ou seja, a cultura de gerir o Estado como um patrimônio privado, é consequência da formação nacional e influencia diretamente o impasse. Isso acontece, porque, a lógica de funcionamento da máquina pública é mais pessoalista do que institucional, e não há espaço para pensar em interesses sustentáveis. De fato, políticas que beneficiariam a sociedade a longo prazo são negligenciadas ou descontinuadas. Dessa forma, a corrupção estrutural perpetua esse sistema viciado.
Além disso, a passividade de grande parte do corpo social frente à problemática é um fator agravante. Como aponta o filósofo Zygmunt Bauman, em uma sociedade líquida e voltada para o imediatismo, compromissos de longo prazo, como o cuidado ambiental, são frequentemente negligenciados. Nesse sentido, sem preparo para agir de forma coletiva e consciente, a sociedade brasileira se distancia de práticas sustentáveis e da cobrança por políticas públicas eficientes. A ausência de mobilização, por exemplo, impede a fiscalização adequada de empresas poluentes e reduz o incentivo para que a esfera estatal invista em infraestrutura verde, transporte limpo ou educação ambiental. Portanto, estimular o engajamento social torna-se indispensável para que a sustentabilidade deixe de ser apenas um ideal e passe a integrar, efetivamente, a realidade brasileira.