Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 06/11/2025
Em suas análises antropológicas a socióloga Lilia Schwarcz afirma a existência de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, alguns temas passíveis de decisão não são devidamente conhecidos e abordados. Sob esse viés, a evasão escolar encaixa-se na tese da autora, visto que o tema enfrenta desafios para sua diminuição no país, refletidos na omissão estatal e no emudecimento da problemática.
Diante desse panorama, aponta-se como um fator determinante a inoperância do Poder Público. Isso porque, segundo o filósofo John Locke, o Estado deve garantir o deleite da coletividade. As autoridades, todavia, vão de encontro com a ideia de Locke, uma vez que, possuem um papel inerte em relação ao abandono escolar, devido a insuficiência de investimentos voltados à permanência estudantil -como bolsas de auxílio- o que colabora para a perpetuação da pobreza e amplia desigualdades sociais. Desse modo, é inadmissível que, em uma sociedade democrática, os governantes tratem o direito à educação de forma precarizada.
Ademais, é importante salientar o silenciamento da questão. Sob esse viés, Djamila Ribeiro – expoente socióloga brasileira – defende que é crucial retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, o quadro nacional destoa da visão da pensadora, já que, há uma escassez de debates quanto à importância da permanência de crianças e jovens nas escolas, porque a falta de visibilidade gera preconceito, discriminação e, consequentemente dificulta o engajamento social. Dessa forma, é inaceitável que o tema não seja amplamente discutido, dificultando, ainda mais a sua resolução.
Portanto, é necessária uma intervenção pontual. Para isso, o Governo Federal deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância do tema. Tal medida tem o objetivo de tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, esse tema passará a ser debatido, tendo mais reconhecimento e sendo retirado da política de eufemismos retratado por Lilia.