Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/07/2026

O livro “Quarto de Despejo”, escrito pela Carolina Maria de Jesus, retrata o difícil cotidiano da autora em uma comunidade com os seus três filhos. Na obra, a escri-tora explicita a importância dos estudos para a ascensão social das crianças, incen-tivando-as a estudar. Diante desse cenário, faz-se indispensável analisar a evasão escolar persistente na sociedade brasileira. Logo, tal problemática ocorre devido às disparidades socioeconômicas e à infraestrutura educacional precária do país.

Sob esse viés, a desigualdade social reforça o abandono escolar. Partindo dessa lógica, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirma que é direito dos meno-res concluir sua formação estudantil básica. Todavia, a realidade nacional fere a ga-rantia do estatuto, pois os jovens em situação de vulnerabilidade não possuem condições de concluir os estudos, haja vista a necessidade de trabalhar para auxili-ar na renda familiar. Como consequência, esses adolescentes reduzem sua presen-ça escolar ou abandonam definitivamente os estudos em prol da obtenção imedia-ta de renda, perpetuando o ciclo de pobreza e dificultando a ascensão social.

Outrossim, as condições indispensáveis para o ensino do país enfrentam uma es-cassez que instiga a evasão escolar. Dentro dessa análise, a pandemia de covid-19, infelizmente, expôs a vulnerabilidade das unidades de ensino do Brasil, porque o isolamento social do período afetou intensamente a qualidade da instrução das re-des municipais e estaduais. Nesse sentido, dentre as falhas recorrentes no sistema educacional da nação, é relevante citar a falta de transporte escolar adequado, a desvalorização dos professores, a ausência de material didático e a precariedade estrutural das escolas, o que compromete a qualidade da educação oferecida e di-minui o interesse e a permanência dos alunos. Dessa forma, é inaceitável que tal realidade persista no cenário brasileiro.

Em suma, a evasão escolar é resultado das disparidades socioeconômicas e da in-fraestrutura educacional precária do país. Então, é dever do Estado, garantidor do bem-estar do povo, atuar na redução do abandono escolar, por meio da ampliação de programas sociais, como o Pé de Meia, para que os jovens não precisem desistir da escola para trabalhar. Ademais, o Ministério da Educação deve aperfeiçoar o en-sino brasileiro, mediante a análise das condições enfrentadas pelos estudantes.