Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/06/2018
Primeiro foram faltas esporádicas. Depois, passaram a ser semanais. A professora começou a se acostumar com a falta de resposta do aluno na chamada. Até que chegou um dia em que ele não mais compareceu. Infelizmente, a evasão escolar é um problema que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos e sua continuidade está relacionada a problemas sociais aliados a um currículo escolar sem foco e com ausência de contextualização.
O primeiro fator preponderante para a manutenção de tal triste realidade é atual desatualização do currículo escolar brasileiro. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad), mais de 40% dos jovens entre 15 e 17 anos abandonam a escola por falta de interesse aos conteúdos abordados. Este fato explica o atual cenário pedagógico com um currículo engessado e com ausência de aplicabilidade na rotina do aluno que acaba por incitar a desistência ao aprendizado.
Ademais, o aumento de problemas sociais no Brasil é outro fator que corrobora para a manutenção de tal triste realidade. Nesse sentido, a necessidade dos jovens mais carentes em trabalhar para auxiliar na renda da família, a dificuldade de acesso às escolas – principalmente para os estudantes oriundos da zona rural - e a existência de problemas de saúde diversos –como as deficiências e o autismo – são alguns dos exemplos das consequências dos problemas sociais que impedem a permanência dos alunos na escola e corrobora para o cenário preocupante que carece de atenção dos órgãos públicos e da escola.
Nesse ínterim, portanto, medidas são necessárias para garantir a formação e educação dos jovens. Convém, portanto, que, primordialmente, o Estado, por meio das Secretarias de Educação, promova o desenvolvimento de uma grade escolar mais contextualizada e dinâmica. Nesse sentido, uma boa prática seria a introdução de tecnologias na sala de aula, aproximando, assim, o conteúdo ao mundo digital além de disponibilizar maior tempo ao professor para atendimentos individualizados de alunos com deficiências e dificuldade de aprendizados. Outrossim, cabe ao governo, garantir a construção de escolas acessíveis a toda a população além de incentivar os programas de assistência social, como o bolsa família, para permitir que os jovens possam ir as escolas e não precisem trabalhar. Sob tal perspectiva, poder-se-á construir um Brasil mais educado e rumo ao progresso.