Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/07/2018

Determinismo opressor

Durante a Revolução Industrial, crianças eram obrigadas a trabalhar nas fábricas para ajudar no sustento de suas famílias e, por isso, eram impedidas de estudar. Hoje, apesar de criado o Estatuto da Criança e do Adolescente, que protege o direito ao estudo desses indivíduos, muitas vezes observa-se uma situação análoga a da Revolução Industrial, em que, infelizmente, a evasão escolar ainda é uma realidade palpável, principalmente para os menos afortunados, somando-se ainda a criminalidade do meio em que esse indivíduo está inserido, como fatores de risco para essa problemática.

É evidente que a indispensabilidade do trabalho compulsório ainda é uma das causas mais relevantes da evasão escolar. De acordo com Lamarck, o meio determina as características do indivíduos e, essas mesmas características são transmitidas geração após geração, sendo assim, é  notório que os pais, por falta de recursos para manter a família e o filho na escola, colocam o filho para trabalhar precocemente, assim como, provavelmente, lhes foi feito, formando um ciclo em que os filhos são fadados ao mesmo destino dos pais.

Outrossim, a criminalidade, comum a bairros mais humildes, também é uma causa marcante dessa evasão. Visto que essa criança é persuadida a acreditar que aquele caminho é mais proveitoso e mais comum a todos os que ela conhece, o crime passa a ser banal a ela, fazendo-a acreditar que o estudo é dispensável. Segundo Max Weber, uma ação social é aquela coercitiva e exterior ao indivíduo,  nesse sentido, vê-se que a criminalidade passa a ser uma ação social à medida que influencia os indivíduos.

Urge, portanto, a necessidade de o Governo deliberar de forma a resolver essa problemática. É mister que o Ministério da Educação forneça bolsas de estudo para essas crianças menos favorecidas, para que não precisem trabalhar para ajudar a família, através do envio de verbas maiores para tal intuito, e que as Secretarias de Ação Comunitária, em parceria com ONG’s, façam palestras ilustrativas e esclarecedoras nas escolas de bairros menos favorecidos, explicando sobre os benefícios do estudo e os malefícios da criminalidade, incentivando-os a escolher uma carreira, para que, assim, o determinismo opressor possa finalmente cessar.