Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2018
Na Estônia, país com o melhor sistema educacional da Europa e um dos mais bem avaliados do mundo, a questão da evasão escolar é praticamente inexistente. No entanto, tal problemática vem ganhando grandes e preocupantes proporções nos últimos anos no Brasil. Dentre os principais motivos para o recrudescimento da chaga social, destacam-se a falta de acompanhamento familiar e a presença de obstáculos na sala de aula.
A priori, é notório que uma das raízes do problema é a não companhia dos progenitores no processo educacional dos filhos. Isso decorre, lamentavelmente, devido a ausência do diálogo, muitas vezes, no âmbito doméstico sobre o assunto e, por consequência disso, a uma emergência nos estudantes de uma liberdade sem responsabilidade e oposta a importância da formação acadêmica. Tal situação rompe com o conceito habersiano da “Ação Comunicativa”, na qual o consenso sobre algo só pode ser alcançado por intermédio da conversação. Logo, é necessário a busca de meios para restauração da conversa esclarecedora do assunto entre pais e discentes.
Além disso, nota-se, ainda, que a existência de barreiras de amplo espectro intensifica a epidemia social. Isso acontece, infelizmente, porque diversas instituições escolares, sobretudo públicas, não possuem as mínimas condições estruturais para lidar com as inúmeras dificuldades, que impedem o desenvolvimento do aprendizado dos menores, como a hiperatividade, atrelado a isso, a necessidade de complementação na renda familiar impulsiona o desvio dos pequenos do caminho dos estudos. Nessa perspectiva, há uma ruptura com a concepção rousseauniana de contrato social, em que o Governo, por meio do poder, manteria as regras e vantagens igualmente para todos. Dessa forma, é indispensável um maior respaldo governamental para a superação de contratempos e a promoção integral do direito obrigatório à educação básica.
Infere-se, portanto, que a adoção de medidas capazes de erradicar a evasão escolar torna-se imprescindível. Faz-se necessário que as Secretarias Municipais de Educação, em consonância com a mídia televisiva, crie uma campanha, direcionada aos pais, que prima essencialmente na elucidação da relevância do acompanhamento constante na vida acadêmica de seus filhos, com a finalidade de promover o processo educacional de modo mais humanizado. Ademais, é imperativo que o Ministério da Educação, em consonância com as escolas, desenvolva uma projeto político pedagógico, com abrangência nacional, composta por Psicoterapeutas, Psicólogos e dirigentes escolares, que vise fundamentalmente na assistência às pretensas dificuldades de aprendizado dos discentes, com o propósito de sanar lacunas de direitos e promover a cidadania de forma cabal.