Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/08/2018
Operando conforme à primeira lei de Newton, a lei da Inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer no seu repouso até que uma forca suficiente atue sobre ele mudando seu percurso, a evasão escolar de jovens é um problema que persiste na sociedade brasileira há bastante tempo. Com isso, ao invés de funcionar como a forca suficiente capaz de mudar o percurso deste problema, da persistência para extinção, a combinação de fatores escolares acabam por contribuírem com a situação.
Segundo o Instituto do Ensino e Pesquisa (INSPER), a cada ano, quase 3 milhões de jovens abandonam a escola no Brasil. Isso porque, o jovem, ao perceber que aprende matérias que não entendem passa a perder o interesse na escola e, consequentemente, vê mais sentido em outras atividades. Prova disso, é justamente um dos fatores que caracteriza o problema: a falta de interesse. Por conseguinte, um exemplo disto são as aulas sem participação dos alunos, que se limitam a ouvir palestras dos professores e, quando muito, anotam o que foi escrito na lousa. Assim, a forma como o individuo jovem enxerga a escola contribui para a situação atual da evasão escolar.
Ademais, por serem o palco da problemática, as escolas brasileiras deveriam estar mais atentas e preparadas para ajudar os alunos que se mostrem desinteressados, no entanto, estas instituições não estão. Isso decorre do modelo pedagógico vigente que, ao invés de ser um ambiente mais acolhedor que ensina cultura, ensina apenas conteúdos cobrados na prova. Poucos são os investimentos que são feitos no ensino fundamental e médio no país, provocando um sucateamento da educação pública, que convive com a falta de estrutura física, a má remuneração do professor, o pouco tempo para o planejamento de aulas, e a ausência de materiais pedagógicos. Não é à toa, então, que, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), o Brasil tem a terceira maior taxa de evasão escolar entre cem países.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas que realizem a mudança deste percurso. Assim, seria interessante que o MEC, em parceira com pedagogos, realiza uma reforma curricular do ensino infantil, fundamental e médio. Tal reforma deverá incluir na grade horária escolar, cultura, que introduzirá os alunos nos esportes e artes. Além disso, o poder público e a sociedade em geral devem reconhecer o professor como principal agente de mudança, dando a ele melhores condições de trabalho, a fim de melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Só assim, será mudado o percurso da evasão escolar, da persistência para extinção.