Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/08/2018

Segundo a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 196, é dever do Estado garantir o acesso à saúde, bem como é responsável por medidas públicas para zelar pelo bem-estar físico de todos os cidadãos brasileiros. Assim, faz-se necessário que o poder público se atente à evasão escolar, enquanto situação que põe em risco o futuro de milhares de crianças e adolescentes do país. Dessa modo, encontrar caminhos para combater os empecilhos que dificultam a permanência dos estudantes nas escolas no Brasil é um desafio que deve ser enfrentado pela sociedade civil e pelo Estado.

Em primeira instância, devido à crise econômica que assolou a nação, o Poder Legislativo aprovou um Projeto de Emenda à Constituição (PEC), que congela os gastos públicos em setores estratégicos para o desenvolvimento do país - como a educação - por 20 anos. Em razão disso, caracterizou-se o sucateamento da educação pública, principalmente, no tocante ao salário dos docentes, pois, segundo a ONU, o professor brasileiro recebe a terceira pior remuneração do mundo. Isto posto, esses profissionais acabam desmotivados à lecionar e criar técnicas inovadores de aprendizagem, porque são desvalorizados, de modo que os alunos abandonam a escola por decepção com o ensino ruim e estagnado, logo, elevando exponencialmente a evasão escolar na nação.

Outrossim, a ausência da conscientização da população mais marginalizada da sociedade é um dos principais limitadores para a diminuição do abandono escolar no país. O governo, nesse âmbito, não possui nenhuma política que objetive captar o interesse dos indivíduos no estudo desde os primeiros anos de vida, tampouco formas de mantê-los no ambiente acadêmico, por isso os sujeitos atingem a maioridade sem compreender a relevância que o estudo possui, consequentemente, preferem gastar o tempo livre com relacionamentos ou trabalhando para ajudar nas despesas familiares. Desse modo, a evasão escolar é uma realidade no Brasil, mesmo que de forma implícita, à primeira vista.

Urge, portanto, a necessidade da intervenção civil e estatal. O Estado, nesse contexto, carece de fomentar políticas públicas eficazes, tal como revogar a PEC que congela os gastos em educação, por meio de outra PEC, a fim de aumentar o salário dos discentes um ambiente estudantil que desperte o interesse dos alunos, garantido um futuro melhor para eles. É imperativo, ainda, que o Ministério da Educação, promova eventos e seminários, mediante campanhas de caráter popular, para que professores e psicólogos orientem os civis, sobre a importância de estudar, visando diminuir a evasão escolar e garantir que os jovens continuem na escola. Sendo assim, combatendo a evasão e escolar e mudando a realidade brasileira, pois, segundo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo.