Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/08/2018
Para Maquiavel, o conceito de Fortuna significava o contexto móvel que apresentava problemas, enquanto Virtú eram as ações práticas a serem tomadas, de forma sábia, para tornar o contexto estável. Apesar de, no Brasil, o percentual de jovens que concluem o ensino médio ter crescido nos últimos anos, a evasão escolar, contexto no qual o país está inserido,é uma realidade e traz consigo grandes impactos na vida dos milhares de jovens que abandonam os estudos. Diante dessa perspectiva faz-se necessário compreender as causas do problema para, então, encontrar a sábia Virtú.
Segundo a Constituição Brasileira, a educação básica é direito de todos e deve ser garantida pelo Estado e pela família. No entanto, fatores como falta de interesse do aluno, distância entre casa e escola e falta de transporte são obstáculos que contribuem para que os jovens abandonem a vida escolar. Além disso, de acordo com a pesquisa Aprendizagem em Foco, o avanço nos estudos é diretamente proporcional a renda do indivíduo, ou seja, pessoas que precisam trabalhar para complementar a renda familiar acabam deixando a escola.
De acordo com Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, apesar de a educação sozinha não ser capaz de mudar a sociedade, sem ela essa mudança também não é possível. Indubitavelmente, a evasão escolar tem impactos não só para o indivíduo que abandona os estudos mas também para toda a sociedade, visto que o índice de violência e criminalidade, por exemplo, poderia ser menor se todos os jovens estivessem em escolas. Ademais, impactos econômicos também são observados já que, a partir da Terceira Revolução Industrial, as empresas começaram a buscar por trabalhadores mais especializados e qualificados para seus cargos, dessa forma, ao não encontrar candidatos com as características desejadas, o mercado de trabalho pode ser afetado e, consequentemente, a economia do país pode ser afetada de forma negativa.
Fica claro, portanto, que ações práticas sábias precisam ser tomadas para resolver o impasse. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação incentivar, por meio de reuniões, apoio psicológico aos jovens e até mesmo visitas de membros da escola à casa de seus alunos, a parceria entre escola e família, assim, de acordo com as particularidades de cada aluno e família será possível traçar planos e pensar em soluções adequadas para cada indivíduo, visando diminuir suas chances de abandonarem seus estudos. Dessa forma, as causas do problema poderão ser analisadas, uma solução eficaz poderá ser proposta e as consequências da evasão escolar, que é uma realidade no país, poderão ser reduzidas.