Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/08/2018
O Brasil vive, na atualidade, um grande desafio básico ao seu desenvolvimento: a dificuldade de manter sua juventude dentro das instituições educacionais. A evasão escolar tem diminuído desde os últimos anos, porém seu decremento tem sido acanhado, ferindo a Constituição de 1988, que diz que todas as crianças e jovens de 0 a 17 anos têm o direito à educação.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em 2018, dos 10,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que deveriam estar na escola, 2,8 milhões saem todos os anos. Dentre outros fatores de tal conjuntura, pode-se afirmar que um dos mais preocupantes é a falta de interesse do aluno pelo ensino. A falta de interação, contextualização e adequação dos conteúdos, bem como a ausência de flexibilização de horários colocam o ensino em segundo plano, acarretamento em jovens desqualificados e estagnados.
Isocronicamente, e necessidade de entrar no mercado de trabalho precocemente devido as condições financeiras da população juvenil, tem favorecido as altas taxas de abandono das salas de aula, trazendo perdas individuais, como subempregos, e coletivas - mão de obra depreciada. O país todo sofre hoje com a queda da produtividade resultante da falta de conhecimento, informação e, muitas vezes, da incapacidade de formular raciocínios básicos, se tornando defasado para atender exigências de um mercado global de trabalho cada vez mais sofisticado.
Diante dos dados supracitados, nota-se a necessidade de políticas públicas urgentes. O Estado deve moldar o modelo de ensino de acordo com a realidade da juventude brasileira, por meio da segmentação entre conteúdos presenciais e online, e capacitar professores para serem mais que condutores de conhecimento, mas incentivadores, de modo que as instituições educacionais se torne atrativa. Além disso, o governo deve intensificar um acompanhamento pedagógico mais intenso, como atas de frequência, visitas periódicas de assistentes sociais tanto nas escolas quanto nas residências; e investir em fomento para a permanência do jovem na escola, através bolsas de auxílio, competições com prêmios como torneios e olimpíadas, e escolas de capacitação técnica, pois o desenvolvimento do Brasil é o desenvolvimento dos seus cidadãos.