Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/08/2018
No século XX, o pedagogo Paulo Freire disseminou a ideia que a educação é libertadora para os indivíduos e que além disso, é também uma ferramenta de transformação da sociedade. Sob esta óptica do educador, no entanto, o Brasil caminha a passos lentos em relação ao seu próprio progresso, visto que a taxa de evasão escolar aumentou na última década. Nesse contexto, observa-se a omissão do Estado, a negligência da família e o distanciamento da sociedade, uma vez que todas essas três Instituições são responsáveis pela educação da criança e do adolescente.
De acordo com estudos elaborados com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a evasão escolar é maior na parcela da população de menor renda, ainda de acordo com a pesquisa, é comum o abandono ser ocasionado pela gravidez ou pela necessidade de complementar a renda familiar. Contudo, deve-se considerar que o ensino público no Brasil enfrenta muitas crises, como por exemplo, as constante paralisações dos professores, o que torna a escola um ambiente pouco atrativo. Para o estudante, o atraso no ano letivo, em virtude dos movimentos grevistas, desmotiva e compromete a aprendizagem.
Ademais, devem ser citados os problemas relativos ao âmbito do investimento no setor educacional. Diversas escolas no Brasil apresentam um infraestrutura física muito simples, incompatível com a realidade tecnológica, a qual o país está inserido. Soma-se a essa problemática o consenso, característico da população mais carente, que toma o estudo como algo fútil, isto é, de pouca relevância para a sobrevivência. À vista disso, infere-se que, inúmeras crianças e adolescentes permanecem na escola devido à lei que torna obrigatório o ensino básico, ressaltando portanto, não apenas a importância da lei, como também, a vigilância exercida pela Escola e pelo Conselho Tutelar.
Portanto, para combater a evasão escolar, propiciando uma educação libertadora e transformadora, idealizada por Paulo Freire, é necessário a articulação da família, da sociedade e sobretudo, do Estado. Compete ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, desenvolver estratégias que tornem a escola mais atrativa, como por exemplo, incluir o uso de ferramentas digitais, que tornem as aulas mais interativas para os alunos. Com relação à vulnerabilidade social, os órgãos públicos podem promover estágios remunerados, favorecendo assim, a renda familiar. Além disso, o governo federal deve reavaliar as condições de trabalho e remuneração dos professores para evitar que as greves prejudiquem os alunos. Quanto às Instituições de ensino, é indispensável a elaboração de palestras direcionadas à comunidade, que incentivem o ato de estudar e demonstre que o estudo é uma importante ferramenta para o sucesso profissional e portanto, um meio que irá garantir a subsistência.