Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 04/09/2018
Durante muito tempo a Igreja Católica deteve o conhecimento e, no Brasil, isso não foi diferente. Nesse contexto, o acesso a educação de qualidade quase sempre foi restrito à elite brasileira. Na Contemporaneidade, mesmo com políticas públicas voltadas para o incentivo ao estudo, a necessidade do jovem de trabalhar cada vez mais cedo e a falta de infraestrutura das escolas torna a evasão escolar uma realidade, o que leva à vulnerabilidade social desse grupo e fere princípios constitucionais.
Em primeiro lugar, o acesso a educação é um direito garantido pela Constituição Federal e, apesar de políticas públicas voltadas para isso, a exemplo do Bolsa Família, a evasão escolar ainda é uma realidade no país. Nesse ínterim, isso acontece, em parte, pela necessidade do jovem de trabalhar para ajudar no sustento da família, mas também pela precariedade na infraestrutura e a falta de professores nas instituições públicas. Consoante ao filósofo Rousseau, o homem nasce bom, a sociedade que o corrompe e, para ele, a educação é arma principal para a manutenção do bom selvagem. Portanto, é imprescindível que o Governo crie mecanismos para minimizar a evasão escolar.
Por conseguinte, o jovem que tem seu direito suprimido se torna vulnerável, facilmente manipulado e não consegue se inserir no mercado de trabalho com a devida qualificação. De acordo com Karl Marx, o conceito de mais valia caracteriza o caráter exploratório do sistema capitalista, cuja intensificação da exploração da força de trabalho do trabalhador enriquece o empregador. Portanto, é de interesse da minoria capitalista a manutenção da alienação do jovem para alcançar seus objetivos, e deve ser combatida por meio do desenvolvimento do senso crítico possibilitado pela educação de qualidade.
Para atenuar essa realidade, é inescusável que o Ministério da Educação, aliado às Secretarias Municipais de Infraestrutura e ao Ministério do Desenvolvimento Social, proporcione melhorias nas infraestruturas das escolas. Para isso, é necessário o direcionamento de recursos financeiros para fazer reformas nas escolas, com o intuito de ampliá-las e possibilitar o acesso de deficientes físicos e visuais, por exemplo, com a construção de rampas e sinalização em braile; além de quadras poliesportivas e, principalmente, a qualificação de um corpo técnico multidisciplinar nas escolas públicas, a fim de garantir a isonomia de direitos e a possibilidade de um futuro melhor com a redução da evasão escolar. Ademais, é essencial que o Ministério da Educação proporcione educação de qualidade a todos os cidadãos, sem distinção e, por meio de palestras, discussões e muito diálogo seja possível o desenvolvimento do senso crítico, com o uso da razão emancipatória, defendida por Jürgem Habermas, cujo objetivo se baseia no consenso em prol do coletivo, para que assim, seja possível tornar o jovem um ser pensante e passível de mudar essa realidade. .