Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 06/09/2018
O educador brasileiro Paulo Freire afirmava que “se a educação sozinha não transforma, sem ela tampouco a sociedade muda.” De fato, a educação se mostra uma importante ferramenta para a ascensão social e melhoria das condições de vida. Nesse viés, observa-se no Brasil um grave problema, cada vez mais recorrente à realidade de muitos jovens: a evasão escolar. Por isso, se faz necessário entender suas causas a fim de encontrar soluções que amenizem esse quadro, principal responsável pela manutenção da diferença de classes no país.
É importante pontuar, de início, que o Brasil é marcado historicamente pela desigualdade social, fato este que não se alterou com o decorrer dos anos. Por este motivo e, embora a educação seja um direito garantido pela Constituição de 1988, ela não é ministrada de maneira eficiente a todas as camadas da população. Isso se deve, principalmente, a falta de adequado planejamento e estrutura ao ensino na rede pública brasileira, culminando em escolas com péssimas condições, além da desvalorização do professor, não recebendo qualquer estímulo ao ato de lecionar. Em consonância, esses fatores contribuem para que a educação no país não seja atrativa aos alunos, provocando a evasão escolar daqueles que poderiam ter na educação um pilar para a ascensão social.
Outrossim, o sociólogo Emilie Durkhiem afirmava que a educação não deveria ser responsabilidade apenas de uma esfera social, mas sim, da sociedade como um todo. Nessa perspectiva, a família representa uma base fundamental ao processo educacional. Contudo, a falta de interesse por parte dos responsáveis em auxiliar na educação participando de reuniões escolares e incentivando o aprendizado além das salas de aula, também é um fator contribuinte para a taxa de evasão escolar no Brasil que, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), chegou a 11%, em 2017. Desse modo, a defasagem no ensino contribui para a falta de oportunidades no mercado de trabalho, como consequência da má qualificação profissional e, consequentemente, perpetua o histórico de desigualdade social no país.
Frente ao exposto, fica evidente a necessidade de medidas que solucionem o problema. Para isso, o Governo Federal deve, por meio de uma maior destinação de verbas, investir em infraestrutura nas escolas públicas e boa remuneração aos professores, além de cursos de capacitação que os incentivem a buscar novas maneiras de estimular o aprendizado. Ademais, o Ministério da Educação, deve propôr campanhas nas escolas, que estimulem e conscientizem os responsáveis acerca da importância da participação familiar no processo educacional. Somente desse modo, será possível que a educação seja, de fato, instrumento transformador da sociedade brasileira.