Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/09/2018
No filme: “Coach Carter: treino para a vida”, no qual um técnico de basquete treina os alunos e se preocupa com as altas taxas de evasão escolar, demonstra essa realidade como uma interferência nas relações de coexistência humana e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, aos altos índices de gravidez na adolescência, além da negligência estatal em disponibilizar a educação de qualidade. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais obstáculos.
De fato, é indubitável que a negligência na educação escolar contribua para potencializar o problema. Nesse viés, segundo o pedagogo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Sob esse prisma, denota-se que a rede de ensino-aprendizagem não dispõe, mormente, de diálogos e aulas sobre a educação sexual, tampouco do suporte de psicólogos e assistentes sociais para direcionar os indivíduos nessa fase da vida. Mediante isso, o Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), comprova que 75% dos adolescentes que tem filhos estão fora da escola. À vista disso, alguns jovens vão a procura de informações sobre a sexualidade em sites pornográficos, fato que favorece a perpetuação dessa prática, além da saída precoce das repartições de ensino.
Outrossim, o filósofo Aristóteles alegava que o exercício político tem como objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. De acordo com esse princípio, a existência massiva de escolas com infraestruturas precárias está sensivelmente ligada aos casos de fuga escolar. Nessa perspectiva infere-se que as condições físicas de vários centros de docência são deficitários, com destaque para a fragilidade do saneamento básico, tendo em vista, o Ministério da Educação, confirmar que apenas 41,6% das escolas de ensino fundamental, por exemplo, contarem com a rede de esgotos. Atrelado a isso, ressalta-se a falta de transporte público em algumas regiões do País, impasses que configuram os baixos investimentos do Poder Público e atenuam o caos da evasão escolar.
Urge, portanto, que, diante das ocorrências de abandono acadêmico, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe à escola, em conjunto com o Ministério da Educação, elaborar fóruns de discussão pedagógica, por meio de mesas redondas e seminários, no intuito de esclarecer sobre a educação sexual na adolescência, com a indicação de suas consequências, além do apoio de psicólogos, com o escopo de direcionar a sexualidade dos indivíduos. Ademais, compete ao Estado, por intermédio de investimentos, melhorar a infraestrutura das escolas e estender o transporte público para áreas de difícil acesso, a fim de garantir a dignidade da educação. Logo, tal realidade mudará.