Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 27/09/2018

A sociedade, segundo Durkheim, é análoga a um corpo em que os órgãos cooperam para a manutenção do todo. Se um órgão não vai bem, todo o corpo sentirá. Sob essa ótica, faz-se necessária uma maior reflexão por parte da população brasileira a respeito das causas e efeitos da evasão escolar no país, uma vez que, tal problema atinge grande parcela das crianças e adolescentes da nação, e em muitos casos, são vítimas de uma realidade cruel de pobreza em conjunto com uma ineficiente ação governamental.

Em primeiro lugar, vale ressaltar sobre uma das diversas causas de tal problemática, que é a ausência de políticas sociais eficazes em conjunto com as educacionais no Brasil. A título de exemplo, a Finlândia, nos anos 90, investiu nessas duas frentes, sociais e educacionais, e obtiveram como resultado, em um curto período de tempo, uma economia sofisticada e altamente industrializada. Só para ilustrar, todo ensino fundamental e médio teve a quantidade de aulas diminuídas, sendo ofertados de forma igualitária e gratuita a todos os finlandeses, com material escolar, refeições fartas e acompanhamento médico, odontológico e psicológico inclusos. Portanto, fica claro que, não basta mudar metodologias de ensino para atrair os alunos e diminuir a evasão escolar, mas, em primeiro lugar, melhorar a qualidade de vida dos mesmos.

Nessa perspectiva, confirma-se que há uma tendência de crianças e adolescentes em situação de abandono escolar de se estagnarem economicamente, e assim, a pobreza de suas famílias se perpetuarem. Sob essa visão, ganha particular relevância o pensamento de Karl Marx, quando esse sustenta que o ser humano é o conjunto das relações concretamente determinadas pela história. Assim, é notório que uma nação com um alto índice de evasão escolar, terá, futuramente, uma população economicamente ativa extremamente desqualificada, e por conseguinte, um país sem desenvolvimento científico e industrial, ou seja, refém de produtos e serviços de outras nações e a passos largos para ser cada vez mais subdesenvolvido.

Portanto, diante do exposto acima, cabe ao governo federal executar duas medidas pontuais. Primeiro, ele deve desenvolver projetos sociais para todos os alunos do ensino fundamental e médio, como a oferta gratuita de material escolar e aumento no número de instituições que trabalham sobre o regime integral de estudo, pois assim, os alunos teriam um ensino de qualidade e seus pais poderiam trabalhar de forma despreocupada. Outra ação pode ser o aumentar no número empregos voltados para estudantes, pois dessa maneira, eles tem acesso ao mercado de trabalho e garantem um aumento na renda familiar dos mesmos, não precisando abandonar os estudos para trabalhar.