Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/09/2018

Em conformidade com a Constituição Federal de 1988, O Estado tem o dever de oferecer acesso e manter jovens na escola. Todavia, a questão da evasão escolar é uma realidade em âmbito nacional, o que revela a falha na garantia de direitos constitucionais e no cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, que preza pelo bem-estar da formação social desse público. Além disso, essa forma de evasão é fomentada por questões socioestruturais que necessitam de intervenção do Poder Público e de setores socialmente engajados.

Em se tratando do processo de desengajamento escolar, os problemas de localização e de locomoção , bem como os lares desestruturados são fatores que estimulam o aumento desse fenômeno no Brasil. A título de ilustração, em áreas rurais e, principalmente, nas periferias urbanas, há escassez de escolas públicas dotadas de boa infraestrutura e que estejam localizadas próximas aos moradores dessas áreas. Destarte, os alunos precisam percorrer longas distâncias para frequentar o ambiente escolar, contando, para isso, com um sistema de transporte público ineficaz e, em alguns casos, até inexistente. Ressalte-se, também, que jovens que vivem em lares economicamente desfavorecidos carecem de condições mínimas de alimentação, vestuário ou higiene, o que contribuei com a saída precoce do adolescente da escola.

Ademais, as instituições de ensino têm falhado em combater a evasão escolar por meio da omissão tanto de professores quanto de diretores, que não investigam os fatores que têm levado os estudantes a tirar notas baixas e a ter pouca frequência escolar. Esses problemas, por sua vez, desvelam a existência de uma didática defasada que contribui para o desengajamento dos alunos nas atividades estudantis. Do mesmo modo, essa indiferença faz com que o discente não se sinta importante, gerando um sentimento de que ninguém notou a sua ausência na escola e de que não é necessário continuar com os estudos, o que agrava a problemática.

Diante disso, urge que o Ministério da Educação não só destine recursos econômicos para a melhoria da infraestrutura das escolas e para programas que facilitem a locomoção do discente no trajeto casa-escola, mas também promova cursos de formação continuada aos professores para que ocorra o aprimoramento didático, o que aumentará o interesse dos alunos nas atividades escolares. Outrossim, a “Busca Ativa Escolar” é uma ferramenta que pode ser utilizada para que a direção das escolas atue ativamente no combate à problemática. Criada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, essa plataforma conta com um grupo de profissionais socialmente engajados que visitam discentes que abandonaram os estudos, buscando entender a origem dos problemas para combatê-lo.