Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/09/2018

O filme chinês Nenhum a Menos conta a história de Wei Minzhi, uma menina de 13 anos que é voluntária em um escola rural na China. No enredo, a personagem luta contra o problema da evasão escolar. A história de Wei é apenas um filme, todavia, a evasão escolar também se faz presente na realidade de muitas crianças e jovens brasileiros. Dessa forma, cabe avaliar os fatores que contribuem para essa problemática.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que toda criança e adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa e ao preparo para o exercício da cidadania. Conquanto, quando verifica-se a evasão escolar no Brasil,  que segundo o MEC, chega a atingir de 10 a 13% de crianças e jovens, percebe-se que o ideal está longe da realidade. Diante disso, pode-se afirmar que um dos principais motivos para construção desse impasse, está relacionada às condições financeiras dos alunos, uma vez que por necessidade, muitos alunos desistem de estudar para trabalhar. Dessa forma, essa escolha prejudica o futuro dessas pessoas que por não possuírem formação tendem à marginalizar-se ou submetem-se a condições precárias de trabalho.

Outrossim, um  contribuinte para o problema da evasão escolar, está relacionado com a falta de acesso das crianças e dos jovens ao ambiente escolar. Em um país com dimensões continentais como Brasil, o transtorno da inacessibilidade torna-se comum, visto que  a falta de transportes escolares e a distância das escolas para as zonas rurais intensificam o problema. De acordo com o MEC, as regiões Norte e Nordeste lideram a lista de desistentes, na qual por estado o número de alunos foi entre 40 e 150 mil. Ademais, na zona rural de todo o Brasil cerca de 35% das crianças não estão na escola. Dessa maneira, esses dados indicam que há uma relação entre a região de moradia e o acesso à educação, que por sua vez não é assegurado como de direito e consequentemente desmotivam o aluno.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Logo, é necessária a intervenção do Governo Federal junto ao Ministério da Educação, para a criação de bolsas estudantis no ensino fundamental e médio, a fim de atenuar as dificuldades financeiras dos estudantes menos favorecidos e diminuir a evasão. Outrossim, é importante a construção de escolas nas zonas rurais com objetivo de oferecer ensino aos moradores dessas regiões e a curto prazo oferecer transportes escolares. Cabe, também, ao Legislativo, debater a respeito do piso salarial dos professores de primeiro e segundo grau, para que sejam oferecidas condições financeiras para quem é essencial no processo educativo. Destarte, o ideal de educação para todos será alcançado.