Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 02/10/2018

“A educação exige os maiores cuidados porque influi sobre a vida”, a colocação do filósofo e educador Sêneca alerta para a importância do ensino na formação do indivíduo. No entanto, os evidentes problemas nos ambientes educacionais brasileiros atrelados à questões de ordem social e individual, atenuam os índices de evasão escolar. No país que, segundo dados coletados pelo IBGE, 1,3 milhão de jovens deixam as escolas sem concluir os estudos, medidas cautelares devem ser tomadas a fim de reverter tal quadro e visando o desenvolvimento da comunidade.

A partir de uma análise histórica, revela-se que o modelo educacional atual emprega o padrão adotado no século XVIII pelas escolas iluministas, tornando-se, portanto, ultrapassado após três séculos em uso. Tal molde utiliza de aulas expositivas e a racionalização do processo educacional para a transmissão do saber. Nesse aspecto, todavia, as escolas deixam de despertar o interesse dos alunos pela matéria exposta de maneira mecanizada. Outrossim, ligado a esse fato, a falta de investimento nos ambientes escolares dificulta o trabalho do professor, que recebe a difícil tarefa de manter o aluno em sala de aula em condições ineficientes para o ensino participativo.

Ademais, estudos feitos com dados do IBGE e do MEC indicam que frequentemente jovens de 15 a 17 anos e de baixa renda são o subgrupo de maior risco ao abandonarem as escolas e causas como a violência, gravidez precoce e inserção precária no mercado de trabalho configuram como seus principais motivos. Em consonância com a afirmação do educador Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, o desvio educacional, enfim, acarreta consequências sociais agonizantes, como a manutenção da desigualdade social nos núcleos mais carentes da população brasileira.

Em síntese, a evasão escolar pode influir sobre toda uma vida e demonstra a necessidade de medidas que reparem esse quadro. Cabe ao Governo fornecer incentivos financeiros às escolas a fim de reforçar a infraestrutura destas com o desenvolvimento de laboratórios para disciplinas especificas e aulas interativas, despertando, assim, o interesse dos alunos em se manterem nesses ambientes. Além disso, a garantia da educação para crianças e adolescentes encontra-se assegurada pelo Estatuto da Criança de do Adolescente e presente na Constituição Cidadã no artigo 205, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, devendo as escolas e as família, em conjunto, garantir a educação seus menores, oferecendo um ambiente seguro e saudável. Com tais medidas, a nação, enfim, caminhará para o seu desenvolvimento.