Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/10/2018

“A política é a arte do possível”; Tal frase do chanceler alemão Bismarck se relacionada ao âmbito educacional público brasileiro, adquire forte obsolescência, pois o Poder Público não consegue impedir o aumento na evasão escolar. Em um país largado às traças como o Brasil são vastos os motivos que levam crianças e adolescentes deixarem de estudar, dentre eles destacam-se: necessidade de trabalhar para ajudar financeiramente os pais e a precária e insalubre estrutura do ensino público, principalmente o médio, já denominado pelo próprio ministro da educação como falido.

Como motivo primeiro da desistência escolar têm-se o trabalho, algo que não deveria ser um problema. A desigualdade social tupiniquim é monstruosa, em consequência ocorre a infeliz realidade dos “sub-empregos” como modo de ganhar a vida. Nos moldes da cidade de Manchester na primeira revolução industrial, todos os integrantes da família chegam trabalhar de 8 à 12 horas por dia em busca de subsistência, sem tempo reservado para os estudos. Ao abandonar a escola, o indivíduo abandonará também uma de suas únicas oportunidades de mobilidade social, o que colocá-o em um triste limbo, onde não há educação ou trabalho com salário justo e digno.

Posteriormente, a irrefutável ineficiência do ensino público brasileiro contribui demasiadamente para o crescimento da evasão escolar. Docentes incapacitados e politicamente “doutrinados”, ambiente inescrupuloso, infraestrutura totalmente defasada e método didático obsoleto são algumas características vigentes na rotina de um aluno de escola pública. Ao relacionar essa realidade com a tese empírica aristotélica de que o ser torna-se aquilo a que constantemente é submetido, entende-se então a inviabilidade da frequência escolar de inúmeros indivíduos. É o opulente governo de caráter facínora, que acaba por destruir e negligenciar qualquer chance de mobilidade social daqueles que à ele são dependentes.

Dessa forma, fica evidente que medidas são necessárias na resolução do impasse. Primeiramente, o Ministério do Trabalho deve trabalhar na fiscalização de serviços “semi-escravos” e combatê-los com multas para os responsáveis e indenizações vitalícias para as vítimas, e para evitar que o jovem não tenha um tempo reservado para seus estudos, deve desenvolver programas semelhantes ao “jovem aprendiz” em parceria com instituições privadas, para além de estimular o trabalho digno, ainda garantir o direito à educação. Já o Ministério da Educação é responsável pela manutenção do ensino público e deve investir pesado em sua reestruturação com mudanças físicas e didáticas como: reforma de prédios escolares, cursos didáticos para professores com rendimento abaixo do esperado, e a modernização dos métodos de ensino disponíveis para transformar a educação na “arte do possível”.