Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 15/10/2018
Pertinente no atual cenário brasileiro, a evasão escolar é uma das problemáticas que mais interferem na evolução social e educacional do país, sendo consequência direta de fatores como a gravidez precoce, o ambiente familiar inóspito e o “Bullying”, os quais alarmam a sociedade brasileira e desafiam a resolução eficiente do estigma envolvendo a saída de muitos alunos das escolas.
Em primeiro plano, ambientes familiares desestruturados e a gravidez na adolescência configuram a prática da evasão escolar. Segundo o pedagogo Paulo Freire, o obstáculo não deveria ser nomeado de evasão, e sim de “expulsão” escolar, pois são fatores exógenos que excluem os estudantes do ambiente de aprendizado e interferem na formação individual. Dessa forma, uma adolescente grávida e também o pai do seu filho são impedidos instantaneamente de ir à escola pela necessidade precoce de cuidar de uma criança, assim como as próprias dificuldades familiares propõem ao aluno a sua saída da sala de aula, uma vez que este é coagido ao mundo do trabalho ou até mesmo é proibido de estudar.
Ademais, outra causa pertinente da evasão escolar é o “Bullying”, atos violentos e repetidos contra um indivíduo mais frágil, que geralmente ocorre dentro dos muros escolares. Conforme uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), uma das consequências ligadas ao “Bullying” é o baixo desempenho escolar do estudante. Com isso, ao ser violentado constantemente e ao não ter suas queixas efetivamente ouvidas pelo conselho escolar, o aluno perde o interesse no que é ensinado e então não sente-se mais confortável para voltar à escola no dia seguinte, contribuindo para o aumento do número de evasões escolares.
Destarte, é imprescindível a mudança social no que concerne ao estigma da evasão escolar. Para isso, o Conselho Tutelar, na forma de seus assistentes sociais, em parceria com o MEC, tem o dever de dar suporte às escolas públicas do país, criando um programa nacional de assistência às alunas grávidas e aos alunos com problemas familiares, a fim de promover ajuda a esses jovens e então extinguir a evasão escolar. E, ainda, a mídia, como principal contribuinte do âmbito informacional, tem o papel de fornecer alertas a respeito do “Bullying” e dos sinais dele nas vítimas e nos agressores, por meio da televisão aberta, com o objetivo de ajudar os pais no combate ao estigma e à sua consequência, a evasão escolar. Assim, poder-se-á transformar a realidade de muitas crianças e adolescentes que estão fora das escolas no atual momento do país.