Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/10/2018

Desde a Independência do Brasil em 1822, a nação recém-formada já estava imersa em cenários conturbados, o que permaneceu assim até os dias atuais. Dessa forma, a educação continua a ser uma realidade estável apenas para as classes sociais mais elevadas, pois o Estado está sendo ineficaz na promoção de políticas sociais e econômicas inclusivas para os discentes marginalizados, que são encontrados em regiões periféricas permeadas pela violência e pelo saneamento básico precário, onde a evasão escolar é a melhor saída, ainda que seja uma solução paliativa. Entretanto, é possível encontrar soluções eficientes através da análise dos mecanismos perpetuadores da problemática.

Nas periferias, o único motivo de muitas crianças e adolescentes para a frequência nas escolas é a alimentação, todavia, a fragilidade dessa motivação pode ser observada quando há falta de suprimentos, o que leva esses indivíduos a buscarem outros métodos para a sobrevivência. Contudo, na Constituição Federal de 1988, o Artigo 3 assegura a redução das desigualdades sociais e regionais, e complementarmente, o Artigo 205 descreve a educação como um direito de todos. Portanto, as leis existem, mas não são praticadas, ainda que seu cumprimento seja de fundamental importância para mudar a realidade, haja vista que, segundo Aristóteles a justiça é a base da sociedade.

Em segundo plano, vale a análise da criticidade que o crime organizado tem sobre a vida dos estudantes, direta ou indiretamente, seja por desviar seus caminhos, seja por desamparar seus responsáveis, principalmente pelo constante uso da violência, que para Jean-Paul Sartre, independentemente da forma como se manifesta, é sempre uma derrota. Nesse sentido, a coerção e falta de oportunidades são fatores que determinam a moral e os valores dos discentes, a exemplo disso é a falsa ideia da ascensão econômica através do envolvimento com facções criminosas. Dado os fatos, é necessário a investigação os agentes que devem agir sobre a problemática e suas soluções.

Consoante Confúcio, não corrigir as falhas é o mesmo que cometer novos erros. Dessarte, o Estado deve promulgar novas leis sociais e econômicas, a fim de incentivar a frequência dos alunos, por meio da mobilização dos Ministérios e dos Três Poderes, fornecendo transporte público gratuito, ensino de qualidade, material didático cativador e construção de escolas em regiões carentes. Em paralelo, as escolas, por meio da organização de funcionários e professores, devem produzir e distribuir cartazes e panfletos sobre os benefícios dos estudos pelas ruas, criar projetos de esportes, ingressar em olimpíadas científicas e promover atividades artísticas, com a finalidade de propiciar o reingresso nas escolas. Mediante a efetivação pelos agentes das ações supracitadas, indubitavelmente, a evasão escolar deixará de ser uma opção e se tornará uma realidade ultrapassada.