Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 21/10/2018

No cenário de Harry Potter, os personagens enfrentam muitos desafios para se manterem na famosa escola de Hogwarts, como questões de pertencimento,conflitos entre os alunos e o corpo docente e o sistema educacional. Infelizmente isso não ocorre apenas na ficção, já que na conjuntura brasileira vários desses pontos acontecem e culminam num desafio para os órgãos educacionais: a evasão escolar. É notório que essa problemática tem fatores internos e externos que ferem os direitos básicos de educação das crianças e dos adolescentes.

É relevante abordar, inicialmente, as causas internas nas escolas que geram condições de exclusão dos estudantes do processo de aprendizagem e contribuem para a expulsão escolar. Observa-se a dificuldade de despertar o interesse de todos os alunos, uma vez que o atual modelo educacional ultrapassado não atende às demandas de desenvolvimento pessoal nem às de produção de conhecimento de maneira eficiente. Paralelo a isso, a precária infraestrutura da maioria das unidades de estudo somada a desvalorização dos docentes vitimam a população estudantil, de modo que, no contexto social vigente, há 2,5 milhões de jovens e crianças fora da escola, segundo o IBGE.

Deve-se salientar, ainda, os fatores extraescolares a exemplo da necessidade de procurar emprego para ajudar a família, a gravidez precoce, a violência em torno das escolas, além dos conflitos familiares.Em decorrência dessa combinação, a evasão escolar atinge de modo significativo tanto o ensino fundamental como o médio e evidencia, portanto, como a educação é um problema de responsabilidade de toda a nação, uma vez que retarda o aperfeiçoamento humano, de acordo com o filósofo Immanuel Kant.Observam-se consequências desse entrave social: o aliciamento dos jovens para a violência e criminalidade, atraso no desenvolvimento econômico e social pela falta de formação e qualificação profissional e alta taxa de analfabetos e analfabetos funcionais. Logo, a sociedade brasileira se depara com um grande desafio que influencia no futuro do país.

Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Educação junto às unidades de ensino promovam a qualificação dos profissionais, por meio de uma reformulação em todos os níveis de graduação do professores, assim como a remuneração que condiz com a importância dos docentes na formação dos jovens, a fim de oferecer um ensino eficiente e engajado para formar alunos interessados, críticos e preparados para a vida social e o mercado de trabalho. Cabe às famílias uma participação mais incisiva nas escolas, mediante a reuniões frequentes, acompanhamento dos alunos de uma forma mais próxima, com o objetivo de garantir a permanência dos jovens e das crianças nas instituições e assegurar os direitos inclusos no ECA.