Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2018
De acordo com Voltaire, filósofo iluminista, educar mal um homem é dissipar capitais e preparar dores e perdas à sociedade. Nesse contexto, observa-se a relevância do debate acerca da evasão escolar no Brasil, uma vez que a educação é ferramenta importante na formação dos cidadãos e os maiores desafios envolvendo a questão são a negligência escolar e a desigualdade social.
A priori, associa-se um ideário filosófico à discussão, pois, segundo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento sobre o mundo. Nesse sentido, é possível notar o papel da negligência das escolas nos casos de evasão escolar, já que, de acordo com o Ministério da Educação, questões desconhecidas pelas autoridades escolares como a falta de transporte escolar são frequentes e determinantes para que muitos alunos deixem a escola. Dessa forma, a ideia de Schopenhauer mostra-se realmente aplicável à problemática, posto que o desconhecimento acerca da realidade dos alunos é, de fato, agravante do impasse.
Outrossim, insere-se ainda a música de Zé Ramalho ao debate, haja vista que a letra “criança de pé no chão aqui não pode estudar” pode, facilmente, ilustrar o panorama educacional brasileiro. Nessa perspectiva, nota-se o papel da desigualdade social nos casos de evasão escolar, tendo em vista que, em harmonia com pesquisa feita pelo IBGE, os jovens de baixa renda são os que mais deixam a escola, majoritariamente, para ingressarem no mundo do trabalho e completarem a renda familiar. Sendo assim, é perceptível que a desigualdade social constitui um temível imbróglio à resolução do problema envolvendo o abandono escolar, dado que os impactos da evasão nesses casos podem ser permanentes.
De modo exposto, a evasão escolar é um problema que deve ser combatido. Para tal, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e dos conselhos tutelares locais, deve criar um projeto conjunto de monitoramento da frequência escolar dos alunos, buscando encontrar os motivos para as faltas e as desistências, realizando visitas às casas dos alunos regularmente e, se for necessário, amparando e assistindo as famílias com o intuito de manter os jovens na escola para que eles possam concluir os estudos e, consequentemente, conquistar um futuro melhor. Assim, enfim, Voltaire se sentiria satisfeito e a realidade brasileira seria melhorada.