Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2018
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a educação e ao bem-estar social. Conquanto, a crescente evasão escolar impossibilita que parte da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
A educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no alto índice de estudantes que largam a escola para iniciar a vida adulta, na maioria das vezes sem preparação alguma. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1,3 milhão de jovens entre 15 a 17 anos estão fora da escola. Diante do exposto, é válido uma chamada de atenção à importância de uma solução imediata, tendo em vista que 52% dessas evasões ocorrem antes mesmo da conclusão do ensino fundamental.
Faz-se mister, ainda, salientar a falta de infraestrutura como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vívida no século XXI. Diante de tal contexto, a falta de transporte, a localização não favorável, a gravidez precoce e até mesmo uma relação familiar desestruturada, gera desinteresse por parte dessas crianças e adolescentes.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. A Secretaria Nacional de Juventude, juntamente ao Ministério da Educação, deverão criar uma política de acompanhamento familiar, fazendo visitas e avaliações mensais, promovendo, assim, uma relação mais estreita entre o jovem e a escola. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deverá, também, instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam a importância da educação para o desenvolvimento humano e social, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não seja vivida a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.