Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2018

Desde a Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, entende-se que o Estado é o responsável por garantir não só uma educação gratuita e de qualidade, como também, a permanência dos alunos nas escolas. No entanto, no Brasil, atualmente, ao observar a alta taxa de evasão escolar, verifica-se que esse ideal da constituinte é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse sentindo, convém analisar os principais fatores dessa questão.

Sob tal viés, é indubitável que a má aplicação dos direitos, que já são garantidos pela lei, estejam entre as causas do problema. Tal fato reside na constatação da péssima estrutura escolar, consequência do baixo grau de investimentos dos governos na área educacional, que resulta no abandono de jovens do sistema de ensino. Segundo o portal de notícias G1, o Brasil investe a mesma parcela do PIB (1%) que a Noruega, porém o país desenvolvido possui um sistema educacional bem estabelecido e estruturado, portanto, precisando de investimentos menores. Dessa maneira, constata-se o descaso do Estado com a própria constituição, pois não assegura a qualidade dos direitos previstos.

Outrossim, destaca-se a realidade das famílias brasileiras  como impulsionador da problemática. A urbanização não planejada dos grandes centros do Brasil tornou a cidade e o campo semelhantes em relação a alguns problemas, no espaço rural era comum os filhos de pequenos produtores ajudarem na produção, muitas vezes abandonando a escola, o que ainda ocorre mesmo após a urbanização. De maneira análoga, nas cidades os filhos da população pobre têm que trabalhar para complementar a renda familiar, pois com a péssima infraestrutura oferecida e aumento do custo de vida, grande parte das famílias não possuem condições de manter os filhos somente estudando, por conseguinte, aumentando as dificuldades de mantê-lo na escola.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para diminuir a evasão escolar no Brasil. Destarte, é necessário que o Estado, que pela definição de Rousseau é o responsável por garantir os anseios do povo, aumente os investimentos em educação, promovendo bolsas para programas que tragam um retorno a médio prazo - como bolsas de iniciação científica - assim os jovens poderão complementar a renda familiar, além de melhorar a estrutura do sistema educacional a fim de que a evasão escolar diminua. Sendo assim, a política por meio da aplicação de medidas justas, seja um meio de alcançar o equilíbrio na sociedade.