Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/03/2019

A etimologia de “escola” está relacionada a uma palavra grega que representa discussão/conversa educativa. Entretanto, isso não prevalece no quadro estudantil brasileiro, tornando a escola menos atrativa e gerando um quantitativo de jovens — antes, alunos — em situação de vulnerabilidade social.

Em primeira análise, observa-se a manutenção do ensino tradicional, no qual o aluno é paciente — sofre e absorve a ação — e o professor é agente — pratica a ação. Tal prática já existia na Grécia Antiga, em que os sofistas — docentes — vendiam o conhecimento para alunos que decoravam. Essa técnica de ensino é retrógrada, visto que a mera transmissão de ideias não estimula o interesse do discente, atrasando seu desenvolvimento cognitivo e ocasionando a evasão escolar.

Desse modo, a perpetuação dessa forma obsoleta de ensino confirma a afirmação do sociólogo Pierre Bourdieu, em que “a escola é legitimadora de desigualdade social”. Nessa lógica, evidencia-se a força do chamado para a vida ilícita , como o tráfico, em especial nas regiões de alta periculosidade, em que a imagem de uma vida fácil é incorporada em detrimento do ensino antiquado, porém que capacitaria o jovem para o mercado de trabalho.

Fica claro, portanto, que a problemática da evasão escolar é prejudicial para o desenvolvimento econômico-social brasileiro. Sendo assim, é necessária a mudança do paradigma estudantil. Com isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com as escolas, estimular debates nas salas de aula, a fim do professor e dos alunos serem os agentes na construção do conhecimento. Além disso, o MEC, com apoio do legislativo, deve criar uma emenda constitucional, a qual determine a obrigatoriedade do profissional de psicologia atuando nas instituições de ensino públicas e privadas, para que dê suporte psicológico ao corpo estudantil.