Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/04/2019

O filósofo Immanuel Kant disse uma vez: o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Compreende-se, deste modo, que o acesso ao ensino é central para o desenvolvimento humano e a escola funciona como instrumento para garantia desse direito constitucional. Entretanto, a evasão escolar figura como um grave problema e entrave na educação brasileira, aonde, os determinantes sociais e o modelo tradicional de ensino são alicerces do problema.

A princípio, é necessário dimensionar o grau de abandono escolar no Brasil. Segundo dados do IBGE, 4 em cada 10 jovens de 19 anos não concluíram o ensino médio. Esses dados são alimentados por determinantes sociais, como a renda precária, a falta de transportes, a infraestrutura escolar e a inserção precoce no mercado de trabalho. Além disso, eventualmente, poucos jovens retomam os estudos, ficando atrasados social e educadamente. Tal realidade, fere o direito à educação previsto na constituição, além de contribuir para a precariedade nas condições de vida e involução do país.

De outro lado, os modelos anacrônicos de ensino tornam as salas de aulas entediosas e desestimulantes, contribuindo ainda mais para o abandono escolar precoce. Além disso, devido a globalização, os jovens estão cada vez mais hiperconetados, exigindo a inserção das tecnologias na educação como forma de manter-se interessados e estimulados ao aprendizado. Contudo, as tecnologias nas escolas e a práxis tecnológica permanecem atrasados, afinal, segundo a Pesquisa Brasileira de Tecnologia e Informação apenas 30% dos docentes apresentam letramento digital, ou seja, capacitação para aplicar as tecnologias no ensino.

Portanto, o problema de evasão escolar tem causas multifatoriais e ações corretivas são necessárias. Cabe ao governo em suas três esferas (municipal, estadual e federal), desenvolver projetos e programas políticos voltados ao melhoramento infraestrutural das escolas e dos transportes escolares. Ademais, compete ao Ministério da educação desenvolver programas de apoio escolar aos jovens trabalhadores, como a implantação de estágios remunerados e ensino profissionalizante. Ainda, deve-se promover capacitação dos professores e formação continuada em relação ao uso das tecnologias em sala de aula e atividades didáticas motivadoras.