Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 15/04/2019

O ensino público e gratuito foi uma conquista recente na história do Brasil concretizada no governo de Getúlio Vargas. Antes, a educação brasileira se restringia aos religiosos e a pessoas da elite. Na atualidade, a educação pública é um direito de todo jovem garantido por lei. No entanto, houve com um tempo um afastamento do jovem da escola causado pela falta de estrutura familiar, por projetos pedagógicos inadequados e tudo isso culminou no desinteresse/desmotivação dos estudantes resultando em altos índices de evasão escolar no Brasil.

Segundo a Revista Crescer de setembro de 2015 o Cadastro Nacional de crianças acolhidas nesse ano registrou 45.237 crianças e adolescentes vivendo em abrigos no Brasil. E, no período de março de 2012 a março de 2013, o Conselho Nacional do Ministério Público analisou que a principal razão para o acolhimento se dava por negligência dos responsáveis. Ademais, abrigos como Ana carolina, na zona Norte do Rio de Janeiro, registrou 90% das crianças acolhidas tiradas do convívio de mães usuárias de crack. Assim, sem nenhum amparo e estrutura familiar e vivendo em condições de insalubridade, violência doméstica, desnutrição, esses jovens não possuem o auxílio necessário para frequentar as escolas.

Outro fator que causa a evasão escolar são os projetos pedagógicos que não acompanham as necessidades atuais. Por exemplo, as aulas são ministradas nos mesmos moldes de séculos passados em que o único protagonista é o professor tornando as aulas um monólogo distante da realidade da maioria dos jovens do ensino público. Além disso, os jovens nascidos após o ano 2000 (a geração Z) cresceram em meio a tecnologia em que toda informação é adquirida de maneira interativa e dinâmica muito diferente do que o giz e a lousa proporcionam.

Portanto, para se evitar a desestrutura familiar é necessário uma política que evite a gravidez indesejada e precoce. Assim, a partir dos 12 anos as crianças devem ter aulas de educação sexual e as unidades de saúde dos bairros devem ir às escolas com profissionais da saúde alertar os jovens sobre DSTs e sobre o uso de contraceptivos. As camisinhas devem ser entregues diretamente aos jovens, pois muitos por vergonha de julgamentos não vão ao posto de saúde se orientar em uma tentativa de esconder que são sexualmente ativos. Além disso, as escolas devem fazer com que os conteúdos  escolares sejam transmitidos de forma dinâmica e atual com o uso de tecnologias. E, para se ter alunos ativos no processo de aprendizagem eles devem ser os próprios propagadores de informações em assuntos previamente estudados e transmitidos aos colegas em rodas de debates com o auxílio do professor. Esse é um caminho de reaproximação do jovem da escola.