Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/04/2019
Disparidade Educacional
Desde os processos denominados “Revoluções Industriais” e a ascensão do capitalismo, prioriza-se demasiadamente produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais. Por consequência, populações periféricas são esquecidas e colocadas à margem da sociedade, sem acesso ao ensino. Assim, a evasão escolar é resultado da desigualdade social hodierna.
Em primeiro lugar, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman ao citar a frase “Consumo, logo existo”, indaga que na sociedade pós moderna, a condição indispensável a vida é o consumo. Dessa forma, os contrastes de qualidade de vida nacionais são salientados em um ambiente ao qual o prestígio se dá pelo consumo. Como resultado, jovens desfavorecidos são obrigados a abandonar os estudos e ingressar no mercado de trabalho precocemente, a fim de contribuir financeiramente no sustento familiar. Somado a isso, a falta de acesso à informação ocasiona o significativo índice de gravidez na adolescência em populações periféricas, o que resulta no abandono escolar.
Em segundo lugar, na Roma Antiga, a educação era restrita à elite. Atualmente, a situação é similar, haja vista que as escolas públicas possuem qualidade de ensino inferior comparadas às privadas, o que prejudica o desempenho de jovens periféricos no vestibular para ingressar na faculdade. Isso desmotiva populações infanto-juvenis. Além de a falta de comprometimento de profissionais da área da educação contribuir para a desmotivação do aluno que, muitas vezes, passa por diversas dificuldades para chegar ao estabelecimento de ensino.
É necessário, portanto, olhar para esses jovens com um pouco mais de alteridade. Deve-se promover a redução das desigualdades através da mobilização diuturna dos movimentos sociais por serviços públicos universais, gratuitos e de qualidade. Como o revolucionário ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela cita: “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Dessa forma, a reintegração educacional é o principal ato que converterá a situação atual da marginalidade.