Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/04/2019

Houve tempos em que o conhecimento era uma dádiva restrita a sábios e famílias privilegiadas. No Brasil, o incentivo à educação mais inclusiva iniciou-se durante o Segundo Reinado, com investimentos feitos por Dom Pedro II. O Imperador tivera uma formação de qualidade desde criança e, dessarte, reconhecia a importância de uma nação instruída. No entanto, quase meio milênio depois, o índice de analfabetismo ainda é expressivo, alertando para a necessidade de retificar o sistema educacional brasileiro.

A problemática é agravada em se tratando das populações do Norte e Nordeste, além de famílias de baixa renda em todo território nacional. É possível associar tais fatos, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, à necessidade de inserção no mercado laboral precocemente. Devido à pobreza, a obtenção imediata de dinheiro passa a ser mais relevante para a subsistência que o crescimento intelectual, colocando o trabalho infantil em detrimento da educação. Uma criança que perde a oportunidade de estudar dificilmente retoma os estudos e, sem formação, acaba tornando-se um adulto predestinado a subempregos.

A quebra desse ciclo vicioso de evasão escolar e miséria é um desafio mundial, sendo que a promoção de oportunidades de aprendizagem equitativa e de qualidade foi dada como um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Universais, estabelecidos em 2015. A meta visa amenizar a desigualdade e elevar o índice de desenvolvimento humano, garantindo melhor qualidade de vida à população.

Em suma, faz-se necessário que o Ministério da Educação e Cultura aprimore o EJA -Ensino para Jovens e Adultos- tornando-o mais acessível para a população que trabalha e não dispõe de demasiado tempo e recursos. Ademais, a partir de parcerias com iniciativas privadas, é possível gerar mais vagas em programas como Jovem Aprendiz, a fim de regularizar a situação de adolescentes que tendem ao trabalho informal, permitindo-lhes acesso a uma fonte de renda sem que tenham que abdicar da educação.