Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/05/2019
O século XVIII, denominado “século das luzes”, ilustra um dos períodos de maior avanço do racionalismo e conhecimento científico sobre as relações sociais. Alinhado a este fato nota-se, na atualidade, a figura das escolas e universidades como grandes centros de produção e transmissão de conhecimentos. No entanto, percebe-se na sociedade da pós-modernidade o constante - e errôneo - distanciamento dos campos da educação, visíveis sob o aspecto da evasão escolar. Assim, debater a cerca do surgimento deste problema é fundamental para garantir perspectivas melhores para o futuro.
Em primeiro lugar, a evasão escolar é consequência de um perfil social e estrutural. Para tanto, é válido salientarmos que o distanciamento escolar mostra-se presente em prevalência e intensidade nos grupos mais abastados da sociedade. Isso decorre da necessidade recorrente de recursos que sujeita os jovens a inserção precoce no mercado de trabalho, obrigando-os a abdicação total ou parcial dos estudos. Não somente isso, o histórico a cerca das condições oferecidas aos estudantes pesam no quesito estímulo à educação, haja vista que muitas escolas, fundamentalmente públicas, carecem de infraestrutura e tecnologia, configurando um sistema arcaico e pouco efetivo na atração do jovem.
Além disso, as consequências deste processo trazem preocupações quanto às perspectivas futuras. Para além do distanciamento em prol do mercado de trabalho, surgem incessantes debates a cerca da redução da maioridade penal, os quais denotam a crescente inserção de jovens em idade escolar na criminalidade. Esta correlação é possível e pode-se fundamentá-la nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2014, os quais citam que, entre os jovens de 15 a 17 anos, ao menos 676 000 indivíduos sequer completaram o ensino fundamental. Assim, se consideradas as perspectivas presentes, as futuras gerações estão fadadas ao irracionalismo crescente do século XXI.
Fica claro, portanto, que a problemática da evasão escolar necessita que medidas corretivas sejam implementadas. Para tanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve promover investimentos nas redes públicas de ensino, equipando-as com tecnologia e laboratórios, visando comportar maiores condições que oportunizem aos indivíduos a conclusão acadêmica e o apreço pela educação. Além disso, programas como Educação para Jovens e Adultos (EJA) devem ser fortalecidos, de modo que a reinserção deste público alvo na educação seja facilitada. Por fim, quanto a inserção precoce de jovens no mercado de trabalho, é necessário conciliar as tarefas. Nesse sentido, as famílias devem ser levadas a reflexão, a qual pode ser suscitada pela mídia por meio de campanhas e comerciais, para que seja possível o entendimento de que a educação é o caminho da prosperidade, e não um obstáculo.