Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/06/2019

A ativista paquistanesa Malala lutou, e ainda luta, pelo direito das mulheres de seu país e do mundo de frequentar a escola. Em contrapartida, no Brasil, embora o acesso à educação seja direto de todos os cidadãos pela Constituição Federal de 1988, o alto índice de evasão escolar é uma triste realidade nacional, a qual reflete, principalmente, o despreparo escolar para incentivar  a permanência de seus alunos, bem como a ineficácia dos órgãos públicos em assegurar tal direito aos jovens mais vulneráveis. Isso dificulta o desenvolvimento social da juventude, necessitando ser combatida.

Diante disso, é preciso ponderar a educação essencialmente teórica ofertada pelas escolas brasileiras e sua relação com essa infeliz conjuntura nacional. De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, boa parte (40%) dos jovens que saíram de suas instituições de ensino alegaram a falta de interesse nos conteúdos ministrados em aula como causa principal de sua evasão. Com base esses dados, as escolas, ao não demonstrarem a aplicabilidade dos assuntos abordados em aula para seus discentes, priorizando o ensino abstrato - diferente do que fizera a professora Débora Garofalo, concorrente do prêmio Nobel da Educação por aliar o ensino teórico e prático de robótico com alunos da periferia de São Paulo - contribuem para a falta de interesse da juventude em continuar sua formação educacional. Como consequência disso, há o aumento da evasão escolar no país e, assim, o maior despreparo desse segmento social para o mercado de trabalho exigente.

Outrossim, a ineficácia das instituições públicas para lidar com as vulnerabilidades infanto-juvenis no Brasil potencializa esse quadro. Segundo o Censo Escolar de 2015, quarenta por cento dos adolescentes de até dezenove anos não completaram o ensino médio no país, especialmente os de comunidades carentes. Nesse perspectiva, os jovens dessas parcelas sociais são normalmente obrigados a abandonar os estudos para auxiliar no sustento de suas famílias, ficando afastados do ambiente educacional. Isso relaciona-se com a dificuldade que as instituições de salvaguarda juvenil, como os conselhos tutelares, têm de identificar e auxiliar essa parcela vulnerável, o que compromete seu direito à educação, defendido por Malala.

Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem a evasão escolar no país. Destarte, o Ministério da educação deve incentivar o estudo prático dos conteúdos ministrados em sala para os discentes por meio da ampliação de laboratórios e gincanas científicas entre as escolas a fim de despertar o interesse juvenil pela própria formação educacional. Por fim, os Conselhos Tutelares devem, mediante busca ativa de jovens em estado de vulnerabilidade, assegurar sua permanência nas escolas, visando ao cumprimento do direito constitucional à educação.