Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/07/2019
A educação tem raízes amargas, mas seus frutos são doces. Tal ideia, aludida por Aristóteles, traduz a visão do atual cenário no que concerne ás raízes amargas que ramificam a educação brasileira, tendo em vista a questão da vigente evasão escolar. Nessa lógica, é indubitável que essa problemática se fundamenta na ausência de políticas públicas eficientes e nas condições precárias sob as quais são submetidas as camadas mais afetadas. Nesse sentido, é de extrema importância exteriorizar os fatores motivadores a fim de buscar alternativas para reverter essa realidade.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que essa questão é expressão da discrepância social e intelectual que assola o cotidiano educacional hodierno. A Constituição Federal de 1988 outorga que é dever do Estado garantir educação igualitária e de qualidade a todos, bem como as condições necessárias para o acesso e a permanência da criança na escola. No entanto, a realidade corrente destoa desse princípio, visto que a questão da evasão tem como principais determinantes a dificuldade nas matérias da base curricular, a violência no âmbito familiar, a difícil mobilidade e o bullying que, além de causar transtornos físicos e psicológicos, é também responsável por fomentar a incredulidade nas instituições educacionais, o que acaba acarretando no abandono escolar. Dessa maneira, é fundamental a ação do Estado e da sociedade em diligenciar soluções para esse impasse.
Por um outro lado, é importante salientar que esse processo dificulta a inserção dos jovens no mercado de trabalho, haja vista que a qualificação profissional é um dos critérios exigidos. Isso ocorre porque grande parte dessa camada não conclui o ensino fundamental ou médio, sendo assim são afetados com o crescente índice de desemprego. Consoante Durkheim, a educação tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança estados físicos e morais requeridos pela sociedade política no seu conjunto. Embora não reproduzida na atualidade, tal perspectiva ratifica a importância da educação para todos. Dessa forma, é evidente a necessidade de uma reestruturação nesse sistema.
Dado exposto, faz-se necessário reverter esse realidade. Assim sendo, cabe à família, através do apoio emocional, e ao Ministério da Educação, por intermédio de projetos sociais, dinâmicas educacionais e do amparo psicológico ás vítimas de violência, incentivar a permanência dos alunos nas escolas a fim de cessar a evasão escolar. Concomitantemente, compete ás empresas impulsionar a inserção dos jovens ao mercado, mediante à oferta de cursos profissionalizantes para atender a camada já afetada, com o intuito de atenuar o índice de desemprego, além de estimular a busca por qualificação e a valorização da educação. Somente assim, por meio do exercício dessas alternativas, poder-se-á colher os frutos doces aos quais se referia Aristóteles quando aludia a questão educacional.