Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/07/2019

A evasão escolar ocorre quando o aluno, matriculado no ano vigente, não retorna ao educandário no ano seguinte. Sob esse âmbito, a realidade atual - exposta pelo jornal “Folha de S. Paulo” -, na qual o Brasil precisará de 200 anos para garantir o Ensino Médio completo aos jovens de 15 a 17 anos, está intrinsecamente ligada a causas intra-escolares e extra-escolares. Nessa perspectiva, fatores como a precariedade do ensino público e a falta de estruturação familiar fomentam o abandono da escola. Dessa maneira, faz-se necessário discutir acerca da problemática em questão.

É importante pontuar, de início, como a baixa qualidade do ensino público fomenta a evasão escolar. Isso ocorre, em grande parte, devido à postura autoritária da escola, fruto, principalmente, de uma educação tecnicista, na qual alunos e professores são meros executores de projetos elaborados sem vínculo com o contexto social. Em face disso, a escola não dá o devido protagonismo ao jovem e, por não criar um espaço de diálogo com os alunos, promove o desinteresse, o que corrobora, assim, para a evasão escolar. Nesse âmbito, uma alusão ao conceito de “tábula rasa” proposto por John Locke mostra-se possível, uma vez que, ao defender que o aprendizado é adquirido pela experiência, ele reforça a necessidade do educandário promover planos vinculados à realidade social.

É importante pontuar, ainda, como a falta de estruturação familiar fomenta a evasão escolar e corrobora o dado da “Folha de S. Paulo”. Isso ocorre devido à ausência de coesão entre pais e filhos, fruto, principalmente, de uma situação social vulnerável, na qual os conselhos e diálogos perdem a legitimidade. Nesse sentido, a família não consegue educar o filho corretamente e, por não representar um elemento que constitua testemunho, faz com que ele não enxergue na educação uma possibilidade de ascensão social. Dessa forma, uma correspondência com o conceito de heteronomia defendido pelo filósofo Piaget faz-se necessário, já que nesse período o indivíduo age e pensa segundo as regras que o outro impõe e, desse modo, é fundamental que os pais incentivem o interesse acadêmico nessa fase.

Portanto, infere-se que a precariedade do ensino público e a falta de estruturação familiar elevam o abandono escolar. Para tanto, o Ministério da Educação (MEC) deve, por meio de uma reformulação do ensino público acabar com o tecnicismo educacional. Além disso, mediante seminários nas escolas com o corpo docente e alunos representantes das turmas, o MEC deve promover planos de pedagogia vinculados ao contexto social, a fim de privilegiar o jovem no processo educacional e evitar a evasão. Só então o Brasil será uma sociedade que proporciona a educação plena. Visando ao mesmo fim, o MEC deve, ainda, incentivar a união entre pais e filhos, por intermédio de reuniões nos colégios, envio de psicólogos às residências, para auxiliar no diálogo no âmbito familiar e, por fim, reduzir a evasão.