Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/07/2019

No dia 1º de janeiro de 2015, foi anunciado o novo lema do governo: Brasil, uma pátria educadora. Seria um novo vislumbre para um país mais justo e digno, onde finalmente as disparidades sociais e econômicas deixariam de afetar o desenvolvimento educacional na vida de crianças e adolescentes, como foi em outrora?

A resposta veio logo nos primeiros meses, em maio o governo implementou um corte de 9,5 bilhões do orçamento da educação, dois meses depois, houve um outro corte, dessa vez 1 bilhão de reais, deixando claro que essa não seria o principal alvo do governo. Tal descaso apenas reflete a realidade do maior país sul-americano, onde cerca de 4 a cada 10 jovens (de 19 anos) não conseguiram concluir o ensino médio e 24,2% das crianças não terminam o ensino fundamental. A situação se agrava ainda mais no meio rural, ao qual 65,8% dos que entram no ensino fundamental conseguem o diploma e 47,4% dos adolescentes no ensino médio  terminam de maneira efetiva sua jornada escolar.

Os altos índices de evasão nos ensinos básicos de educação não apenas reflete a baixa escolaridade do país, mas também, um setor que cresce de forma proporcional a taxa de abandono escolar: a violência. Segundo uma pesquisa feita pela BBC News Brasil com jovens entre 16 a 20 anos de idade, que cumpriam sua pena na Fase (Fundação de Atendimento Socioeducativo) , todos sem exceção tinha largado a escola entre 11 e 12 anos. E citavam motivos banais: são “burros”, não conseguem aprender e a escola é “chata”.

Tais fatos evidenciam alguns questionamentos: Por que as escolas não conseguem manter esses jovens nos estudos? Seria de fato um problema exclusivo apenas dessas instituições?  A culpa não deve se concentrar em apenas “um” mas sim em um todo sistema  que foi construído ao longo dos anos.

A pátria educadora deve sair apenas de um lema para uma construção real de bases sólidas educacionais, o governo deve começar a elaborar incentivos e melhorias para os professores, e também nas graduações de pedagogia dando um enfoque especial na prática real do que se passa em sala aula. A grade curricular deve ser reformulado, já que os 30 primeiros países que lideram o ranking de educação básica, nenhum possuem menos de 7 horas por dia de ensino. A escola integral é uma opção e uma realidade que já alguns estados gozam: pernambuco aumentou em 25,3 pontos na educação após implantação  dessas escolas, sendo que a média brasileira é 11, atuação do governo é essencial para um novo vislumbre do futuro.