Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2019
“Pela janela da classe eu olhava lá fora./ A rua me atraía mais do que a escola.”, assim como nos versos da canção “Tô ouvindo alguém me chamar”, de Racionais MC’s, a evasão escolar é uma realidade brasileira. A situação econômica precária de muitas famílias junto com a exigência de qualificação da mão de obra são fatores determinantes para o impasse.
Uma pesquisa desenvolvida pela FEARP da USP constatou que alunos beneficiados pelo Bolsa Família abandonam menos os estudos. Jorge Amado em seu livro “Capitães de Areia” retrata crianças abandonadas e com ausência de família, não estudam e vivem do furto para sobreviver. Fora da literatura, o número de evasão escolar no Brasil é uma realidade alarmante. Nota-se que a situação econômica faz a educação ficar em segundo plano - mesmo com a Bolsa Família e Jovem Aprendiz, criados para diminuir a evasão, não se mostra o suficiente.
Outrossim, para quem não tem a perspectiva de cursar o Ensino Superior, a escola não oferece qualificação. Consoante GOG, músico brasileiro, em sua canção “Quando o Pai Se Vai”, “Sem qualificação, não tem produtividade,/ Primeiro grau é diploma de imbecilidade/ Segundo grau perdeu a validade/ Tem que ter faculdade.” Atualmente, as empresas procuram por profissionais capacitados e experientes. Soma-se a isso, a oferta de mão de obra sem maestria que- para quem só precisa sobreviver- é a opção mais lógica.
Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Com verbas dos royalties do petróleo, os Ministérios da Educação e do Desenvolvimento podem aumentar o valor do assistencialismo do Bolsa Família e da Fazenda ampliar a margem de desconto para a concessão do Jovem Aprendiz, com a finalidade de evitar esse cenário de fuga escolar. O Legislativo deve criar um Projeto de Lei alterando a atual LDB ( Lei de Diretrizes e Bases da Educação) a fim de incluir no Ensino Médio cursos profissionalizantes, os quais teriam seu currículo unificado pelos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais). Com tais implementações, o problema poderá ser uma mazela passada na história brasileira.