Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/07/2019

Com o histórico de sucateamento da educação pública, a desvalorização do ensino tornou-se um componente cultural. Dessa forma, a evasão escolar é mais facilmente estimulada diante das necessidades urgentes e da falta de perspectiva social com as escolas.

Em primeira instância, é necessário compreender que muitas crianças e adolescentes têm sua vida acadêmica interrompida por dificuldades financeiras. Consoante a pirâmide de necessidades proposta por Maslow, psicólogo estadunidense, as realizações pessoais dos indivíduo são comprometidas se houver deficiência em seu funcionamento fisiológico. Nesse sentido, para garantir a estabilidade econômica na família, diversos jovens são incentivados ao trabalho, geralmente, em sub-empregos, para não se submeterem à miséria social, manifestada pela fome.

Ademais, a oferta de um futuro promissor pelas instituições é insuficiente para fortalecer a formação dos estudantes. Em consonância a Darcy Ribeiro, escritor brasileiro, a crise educacional faz parte de um projeto político bem definido. Sob essa ótica, a falta de esforço da esfera pública em aprimorar a educação corrobora para a conservação das desigualdades sociais, visto que a renda está intimamente relacionada ao nível de qualificação do indivíduo.

Portanto, é imprescindível a construção de perspectivas para o combate à evasão escolar. Para isso, a intensificação da profissionalização é dever das Secretarias Estaduais de Educação. Por intermédio da ampliação dos colégios técnicos, os alunos teriam maior oportunidade para estudar o Ensino Médio-Técnico de forma integrada. Assim, a família dos estudantes, com possibilidade do estágio remunerado e trabalho especializado posterior com renda maior que a média, irão desfrutar de uma perspectiva mais sólida e eficiente com a educação. Finalmente, o Brasil irá caminhar para corrigir seu passado negligente e construir um modelo de sociedade socialmente mais justo e igualitário.