Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/07/2019
O Professor, apesar de sua afinidade com os estudos, foi privado de frequentar a escola juntamente com os outros Capitães de Areia, personagens do livro de mesmo nome, de Jorge Amado, as crianças não tinham condições de frequentar instituições de ensino e a necessidade as levava a cometer pequenos delitos. Essa é a realidade de muitas crianças e adolescentes brasileiros que são impedidos de estudar pelas suas situações socioeconômicas, como consequência, índices de violência, criminalidade e desigualdade aumentam.
Primeiramente, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostragem domiciliar, 47,5% dos jovens de até 19 anos não conseguem concluir o ensino médio, esse dado é reflexo da situação em que se encontram inúmeros estudantes brasileiros. As principais causas da evasão escolar são variadas, entre elas está a dificuldade de acessibilidade às escolas , a necessidade de ingresso precoce ao mercado de trabalho e a gravidez na adolescência, entretanto, todos esses fatores tem algo em comum, todos são consequências da desigualdade social que faz parte da realidade brasileira, onde a oportunidade de estudo para todos fica somente na teoria.
Por conseguinte, os indivíduos que evadiram a escola, tornam-se adultos com dificuldades no mercado de trabalho, a mão de obra não especializada é muito pouco valorizada, essa situação faz com que o trabalhador não possa melhorar sua situação econômica, contribuindo, desse modo, para a manutenção da desigualdade. Além disso, seguindo o exemplo dos Capitães de Areia, muitos escolhem o caminho da criminalidade e da violência como consequência da falta de oportunidades de trabalho e de evasão da sua situação paupérrima.
Portanto, para que a juventude brasileira se mantenha nas escolas e a realidade atual seja modificada é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Cabe as escolas, estabelecerem maior contato com o aluno e sua família, para garantir que a situação desse seja compatível com a necessária para a permanência escolar, seja por meio de reuniões marcadas nas escolas ou por visitas diretamente nas residências desses alunos, no caso dos que tem dificuldade de locomoção. Além disso, cabe ao Ministério da Educação estabelecer campanhas de incentivo à permanência estudantil, por meio de bolsas de estudo aos alunos cujas condições socioeconômicas são precárias.