Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/07/2019
Na década de 1950, Carolina Maria de Jesus, em sua obra “Quarto de Despejo”, escreveu sobre a realidade da comunidade onde vivia, o Canindé, enfatizando que os jovens de lá, em sua maioria, não recebiam educação, pois não frequentavam as escolas. Para além dos limites da literatura, essa realidade ainda se faz presente, afetando não só os moradores das favelas, como também os residentes nas cidades e nos campos. Entretanto, a evasão escolar, além de aumentar as chances de inserção no mercado de trabalho precário, ainda compromete o desenvolvimento social dessas pessoas.
De fato, o número de brasileiros que abandonaram os estudos é bastante elevado, o que é comprovado pelo levantamento do Instituto Unibanco, de 2017, o qual apontou que havia 1,3 milhão de jovens, entre 15 e 17 anos, que deixaram a escola sem concluí-la, sendo que mais da metade não cumpriu sequer o ensino fundamental. Nesse contexto, um dos fatores responsáveis por isso é a necessidade que muitas crianças e adolescentes têm de trabalhar para ajudarem no sustento da família, o que faz com que a escola assuma uma posição secundária diante da realidade na qual eles vivem. Desse modo, tal qual os personagens de Carolina Maria de Jesus, muitos desses indivíduos acabam entrando para o mundo do crime, em que o retorno financeiro acontece mais rapidamente. Ademais, é importante ressaltar que a maneira como os colégios abordam a educação também influencia para a permanência ou não do aluno, pois o ensino mecanizado tende a tornar o processo de aprendizagem maçante, contribuindo, assim, para o desinteresse do estudante. Com isso, as escolas acabam se enquadrando no modelo tão criticado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, pois apresentam o padrão de classe em toda sua organização, o que, além de cansativo, ainda contribui para segregar os jovens entre os que apresentam melhor ou pior desempenho, desestimulando aqueles que ficam abaixo da média.
Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de medidas que visem diminuir a evasão escolar no Brasil. Para tanto, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolver um programa que beneficie os estudantes de baixa renda, por meio de materiais escolares, cestas básicas ou auxílio financeiro, conforme seu desempenho escolar for progredindo. Além disso, as escolas devem oferecer cursos aos professores, de modo a capacitá-los para que possam se reinventar em sala de aula e que, por meio de dinâmicas e trabalhos em comunidade, possam transmitir aos alunos o conhecimento. Assim, será possível aumentar o número de estudantes no país e, ainda, tornar os colégios um ambiente melhor preparado para o desenvolvimento dos jovens.